terça-feira, 29 de maio de 2012

Saúde pública

- Oh Pangloss, gritou Cândido, eis uma estranha genealogia! Não seria o diabo o seu tronco?
- De modo algum, replicara o grande homem. Era uma coisa indispensável no melhor dos mundos, um ingrediente necessário. Pois se Colombo não houvesse contraído, numa ilha da América, esta doença que envenena a fonte da geração, que frequentemente impede a geração, e que é evidentemente o oposto da grande meta da natureza, não teríamos nem o chocolate nem a cochonilha. É preciso ainda observar que hoje, em nosso continente, esta doença nos é própria, como a controvérsia. [...]
- Eis o que é admirável, disse Cândido, mas é preciso curá-lo.
- E como posso fazê-lo?, disse Pangloss. Eu não tenho um tostão, meu amigo. E em toda a extensão deste globo, não podemos sofrer uma sangria nem fazer uma lavagem intestinal sem pagar ou sem que haja alguém que pague por nós. [...]
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Acesso ao serviço de saúde pública: um problema desde o século XVIII.

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