domingo, 13 de maio de 2012

Mulher é fonte de vida

Atualmente é muito intenso o debate sobre a legalização do aborto. Já falei sobre isso aqui no blog: eu acho que a mulher tem um dom, que é o de gerar e poder carregar dentro de si outra vida. Este fim de semana, como ocasião dos dias das mães, andei a refletir mais sobre o assunto. Só um parêntese: na época de comemoração do dia das mães, um momento de aquecimento do comércio e da economia, ninguém fala sobre o assunto!

No sábado, fui com a minha mãe à Igreja onde ela frequenta porque aconteceu um evento de homenagem às mães que teria como encerramento um chá da tarde. Lá, a mensagem que passaram, entre algumas outras, é que mulher é fonte de vida. E eu concordo muito com isso e acho que, por mais que eu tenha usado diferentes palavras no meu texto de 2009, esta foi uma das ideias que eu quis passar.

Na quarta-feira passada na aula de Teoria da História, o professor usou um exemplo muito bom para explicar a concepção de História para o pensador Michelet. Se hoje em dia ensina-se nas escolas religião, ela é tratada analiticamente. Ou seja, ensina-se às crianças as características da religião hinduísta, judaica, católica, espírita... Onde elas são predominantes, quais são seus livros sagrados, sua filosofia, etc. Em outras palavras, as religiões são tratadas como coisas, nas palavras do professor. Perdeu-se o sentimento que a religião procura passar para seus fiéis para ganhar o espaço no campo de análise. Deixou de ser ensino religioso para ser ensino de sociologia da religião. Essa “coisificação” é o que tanto combatia Michelet em relação ao ensino da história, que para ele deveria ser aquela área que inspiraria paixão e fé aos alunos.

Tudo isso para dizer que eu acho que ultimamente as mulheres, que tanto têm lutado por um espaço maior e igual aos homens na sociedade, têm, na verdade, sido tratadas como coisas. O argumento de escolha com o que fazer com o seu corpo, continuo com a mesma opinião, é não-pensado. Nós já temos esse poder com os vários métodos anticoncepcionais que existem aos nossos alcances. Só para deixar claro, estou me referindo ao debate sobre a legalização do aborto, mas acho que em alguns casos, se bem analisados, ele pode até ser válido e necessário.

A mulher tem perdido espaço no campo do sentimento para tratar de sua capacidade como fonte de vida, simplesmente como uma máquina que pode ou não carregar e gerir um feto em seu ventre.  Um dia, quem sabe, retornaremos aos tempos antigos em que as mulheres eram valorizadas justamente por essa capacidade que lhes é tão preciosa e única e, pelo mesmo motivo, a divindade carregava em si a simbologia da fertilidade e a aparência feminina. 

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