quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cinco semanas em terras americanas

Me sinto mal por não ter escrito aqui há tanto tempo. A melhor desculpa é que nunca há tempo, mas isso é mentira. A verdade é que quanto mais somos forçados a escrever, mais a gente quer escrever. Agora, se isso se torna uma opção, a preguiça fala mais forte e acabamos por fazer nada.

Ano passado, em Outubro se não me engano, me inscrevi para uma bolsa de cinco semanas nos Estados Unidos financiada pelo Departamento de Estado Norte-Americano para aprender sobre a cultura e a história dos EUA no mês de Janeiro deste ano. A inscrição e a seleção foi feita pela embaixada e, mesmo sem fé, eu fui selecionada. Desta maneira, eu e mais 19 brasileiros de várias partes do Brasil tivemos essa chance maravilhosa de viver o que, pelo menos a maior parte de nós, não poderia custear essa vivência no exterior tão cedo. 

Minhas impressões em terras norte-americanas foram boas, más e limitadas. Esta última, não porque cheguei lá "narrow-minded", mas porque das cinco semanas que lá fiquei, quatro foram numa cidadezinha minúscula na Carolina do Norte e apenas quatro dias em Washington. Ou seja, o mais perto que a maior cidade-símbolo estadunidense ficou de mim, foram quatro horas de distâncias nos quatro dias que fiquei em Washington. Nesta cidade minúscula de North Carolina, fiquei alojada e assisti todas as aulas do programa em uma universidade historicamente de negro. A partir daí já dá para ter uma ideia de algumas das impressões que eu tive. Tudo era uma oposição de negros X brancos. Desde as músicas, as boates, o transporte público até a Universidade e a Elementary School. 

Engraçado que na mesma cidade, encontrava-se além da North Carolina Central, que foi onde eu fiquei, a Duke University, a Chapel Hill e a North Carolina State. Estas últimas três pareciam ser as "universidades de branco", enquanto a última a "universidade de negro". Perguntando a um aluno da North Carolina Central se ele num achava isso um pouco excludente, sua resposta foi que não, porque a Central lhe dava a oportunidade de estudar assim como os outros tinham nas outras universidade. Sim. Isso em pleno século XXI.

O que eu vi nesta cidadezinha, não foram puritanos, mas pessoas de mente muito retrógrada, presas e vítimas de preconceitos cristalizados que se institucionalizaram. 

Sobre outros aspectos, o consumismo é algo exagerado neste país. Não só na compulsividade de comprar 20 pares de tênis ou outras coisas desnecessárias, apesar de isso ser de praxe, mas em relação também a comida. Pratos lotados de comida que seria jogada fora, pratos e copos descartáveis dentro das casas para evitar lavar louça, espaços físicos de lojas e shoppings enormes sem necessidade (pois havia pouquíssimos habitantes da cidade e tudo isso fica relativamente vazio), sem contar as ruas que mais pareciam estradas: tudo queria ser grandioso.

Os últimos quatro dias, no entanto, foram o que fez vale a viagem. A grandiosidade se mostrou presente nos monumentos de Washington e em seus museus, mas a cidade e o shopping tinha uma cara muito mais urbana e muito mais próximo do que estou acostumada a ver e viver em São Paulo. Havia metrô e ônibus acessíveis, coisa que não existia em North Carolina, e isso nos dava mobilidade. Não era mais preciso depender de carro (coisa angustiante para um aluno de intercâmbio) e tudo ficou mais perto: lojas, restaurantes, parques, museus, etc. 
O paradoxo dessa viagem foi que nas quatro primeiras semanas, minha vontade era de nunca retornar em solo americano novamente; em compensação, quatro dias em Washington foi o suficiente para eu voltar e fazer planos de economizar dinheiro, tirar novamente o visto e voar direto para Washington e depois pegar um ônibus na rodoviária e conhecer New York. 

Minha conclusão é que espaços fechados e isoladas tendem a se tornar narrow-minded-places (autoria by me). Temos que procurar cidades cosmopolitas para visitar, ao contrário, a tendência é duas: ou ficar igual a gente que você conheceu na viagem ou odiar o lugar que você foi. Se não fosse Washington, sairia com uma visão péssima, porque ruim é muito pouco, do que são os EUA. Por isso, futuras viagens que dependerem da minha escolha, serão sempre para cidades cosmopolitas (comecei a gostar dessa palavra!). 

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