quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A morte de Artemio Cruz - resenha


“Assim, diante da morte há duas atitudes: uma, para a frente, que a concebe como criação; outra, de regresso, que se expressa como fascínio pelo nada ou como nostalgia do limbo. (...), dois poetas mexicanos, José Gorostiza e Xavier Villaurrutia, encarnam a segunda destas diretrizes. Se para Gorostiza, a vida é ‘uma morte sem fim’, um contínuo abismar-se em direção ao nada, para Villautia, a vida é apenas ‘nostalgia da morte’.”[1]

Em A morte de Artemio Cruz, Carlos Fuentes constrói um personagem que, aos setenta e um anos de idade, encontra-se diante de seus últimos momentos de vida. Defronte da morte, Artemio Cruz refugia-se em seu passado e, através da memória, revive episódios de sua existência em que, diante do perigo ou de fortes emoções, sente-se cheio de vida. Por meio de uma narrativa não linear, com níveis de tempo, espaço e consciência superpostos, múltiplas vozes narrativas constroem o fluxo de consciência de um homem moribundo que, revivendo seu passado, procura um sentido para sua vida e, consequentemente, para sua morte. Mas Artemio Cruz é mais do que isso. Através de seu protagonista, Carlos Fuentes constrói uma visão desencantada da Revolução Mexicana, ao contrário do que se tinha feito nos anos posteriores ao movimento revolucionário, que construiu a Revolução como mito fundador da nacionalidade mexicana. Como é construída esta visão pessimista e desencantada do México pós-revolucionário e, também, como a Revolução em si fora um projeto sem grandes vínculos ideológicos, é o que tentaremos explorar ao longo do texto.
Filho bastardo de um senhor de terras sem escrúpulos, integrante de uma família conservadora e em decadência do fim do século XIX do México, Artemio Cruz é criado até os seus treze anos pelo seu tio materno, Lunero e, depois de matar acidentalmente seu tio paterno, foge da fazenda onde vivia. Durante sua juventude e impulsionado pelo seu professor Sebástian, Artemio Cruz participa da Revolução Mexicana. Ora lutando pelo exército viilista, ora lutando pelas forças de Carranza, nunca teve muita clareza de seu papel no movimento e nem o que o movimento revolucionário representava em si. Ao fim da Revolução, Artemio se une a família Bernal, renovando a antiga ordem oligárquica sustentada pelo governo de Porfirio Díaz, apropriando-se do discurso revolucionário de reforma agrária, para aumentar seu poder sobre outros e sobre suas terras.
A narrativa é construída em três temporalidades e narradores que se entrecruzam. A realidade mais imediata, aquela que circunda Artemio Cruz moribundo na cama, é narrada no presente e em primeira pessoa. Em outras palavras, o eu percebe a realidade física ao seu redor. Para objetos que se colocam a uma distância maior no tempo, ou seja, episódios e eventos da vida de Artemio Cruz que aconteceram no passado, e a partir dos quais podemos construir a trajetória de sua vida, a narrativa é em terceira pessoa. Em um terceiro momento, o protagonista torna-se objeto de observação e utiliza-se o futuro como tempo verbal. Aqui, quem toma a palavra é um narrador onisciente, ou a supraconsciência de Artemio Cruz, que funciona como um elemento que dá coerência a esta fragmentação de vozes e tempos e é capaz de assegurar aspectos da realidade do protagonista que escapariam de sua percepção consciente. Utilizando-se do tempo verbal no futuro, a supraconsciência procura fazer com que Artemio Cruz reflita sobre as suas decisões e reexamine seu passado, satisfazendo, ainda, uma ânsia do protagonista em prolongar sua vida como se fosse possível tomar outras decisões no futuro.
Diante de uma realidade complexa e múltipla, Carlos Fuentes inova na linguagem de seu romance. A confusão que os diversos níveis temporais, espaciais e de consciência superpostos causam na narrativa, se assemelham a confusão causada pela ausência de um programa ideológico no percurso da Revolução Mexicana e as consequências que esta lacuna trouxe ao México pós-revolucionário. Durante sua participação no movimento, Artemio Cruz se guiava pelas circunstâncias. Diante de uma batalha, seu ímpeto é de fugir do combate que está prestes a enfrentar; em outro momento, luta ao lado dos que antes eram seus inimigos e, ao ser pego, propõe uma batalha pessoal contra o general que o aprisionou. Não se sabe pelo que Cruz está lutando, nenhuma ideologia o guia e mudar de lado é uma questão de sobrevivência e circunstância. Além disso, quando cessa o movimento e Artemio se une aos Bernal, uma família tradicionalmente oligárquica, o discurso de reforma agrária encontra-se vazio de conteúdo e Artemio, agindo de maneira totalmente contrária á sua fala, utiliza-o para convencer trabalhadores e aumentar seu prestígio.  A falta de programa ideológico é simbólica no trecho:
 “- Caramba, capitão, se vamos perder de qualquer maneira. Sou honesto. A divisão está desintegrada. (...) Estamos cansados. São muitos anos lutando, desde que nos levantamos contra Dom Porfirio. Depois lutamos contra Madero, depois contra os colorados de Orozco, depois contra os infelizes de Huerta, depois contra vocês, os capangas de Carranza. São muitos anos. Estamos cansados. Nossa gente é como as lagartixas, vai tomando a cor da terra, enfia-se nos barracos de onde saíram, tornam a vestir-se de peões e tornam a esperar a hora de continuar brigando, mesmo que seja daqui a cem anos.”[2]
 A Morte de Artemio Cruz, no entanto, vai além. Nosso protagonista personifica um desencanto e pessimismo de Carlos Fuentes em relação à Revolução Mexicana. Artemio Cruz foi um revolucionário, sem ideal, que soube aproveitar o imediato momento pós-revolucionário, ainda em caos, com o discurso ideológico da Revolução ao mesmo tempo em que fazia uso de artifícios capciosos, tomando em suas mãos o poder local e restaurando uma ordem oligárquica anterior á Revolução sustentada por Porfirio Díaz. Neste sentido, de um modo um tanto determinista, Artemio Cruz herda e repete a moral de sua família, os Menchaca: através de sua ânsia pelo poder, aliado a sua imoralidade, Cruz expande suas terras, assume o cargo político de deputado, possui um jornal pelo qual manipula informações, age como intermediário para interesses estrangeiros de exploração no México, faz uso de meios desonestos para manter a lealdade com outros caudilhos, entre outros. É esta a cara deste novo México pós-revolucionário:
“Artemio Cruz. Assim se chamava, então, o novo mundo surgido da guerra civil; assim se chamavam os que chegavam para substituí-lo. Desventurado país – disse para si mesmo o velho enquanto andava, outra vez de maneira pausada, para a biblioteca e essa presença indesejada mas fascinante -, desventurado país que a cada geração tem que destruir os antigos possuidores e substituí-los por novos donos, tão rapaces e ambiciosos como os anteriores.”[3]
Artemio Cruz representa então este novo México, que reinventa a ordem oligárquica porfirista atualizando-a para o século XX. Ele é a Revolução apropriada pelo poder corrupto e desfigurada. Talvez seja por isso que há tantas referências á frutas ao longo dos episódios revividos por Artemio Cruz. Seja no pomar que plantou em frente a sua casa, ás frutas escolhidas por Regina em algum povoado, aos nomes das frutas que existem no México que seu filho Lorenzo conta para uma moça na Espanha, ao mamão que Lunero reparte ao meio enquanto janta com Cruz ainda menino... São várias as referências ao longo do livro. Assim como uma fruta, tanto a Revolução quanto Artemio foram um dia cheio de vida, de sentido, mas foram bichados pela corrupção (especialmente nos momentos finais de Artemio, em que a descrição naturalista de seu problema gastrointestinal causa uma percepção de podridão):
“Lunero acendeu depois o braseiro para esquentar o picadinho de peixe, sobra do dia anterior; na cesta de frutas procurou, piscando os olhos, as cascas mais pretas para consumi-las logo, antes que a corrupção total, irmã da ferocidade, as amolecesse e bichasse.”[4]
            Carlos Fuentes explora os momentos finais de um velho moribundo, aproximando a morte cada vez mais de seu personagem. A relação entre a morte e os mexicanos é um tema bastante explorado por Octávio Paz em seu texto “Todos os Santos, Dia de Finados”. Para Paz, diante da morte há duas atitudes: encará-la como criação ou como regresso, expressando-se, este último, por um sentimento nostálgico. Artemio Cruz passa todos seus últimos momentos revivendo episódios do passado sob um ponto de vista moral e considerando outras escolhas que poderiam ter sido feitas e mudado sua vida. É uma nostalgia de tudo o que foi e do que poderia ter sido. Além disso, ao falar da morte para o poeta Villaurrutia, a vida (encarada como um sentimento nostálgico da morte) é vista como um meio de transição: origina-se da morte, que tem nas entranhas maternas a sua cova, e volta a ela quando chega o seu fim. Por isso que o último momento que Artemio Cruz revive em sua memória, o mesmo que atesta a sua morte, é aquela de seu nascimento.  Cruz procura, em seus momentos mais próximos da morte, encontrar o que a vida temporal não lhe deu: o sentido de sua vida.
            Aproximando o protagonista ao que foi e ao que deixou para o México a Revolução, nota-se um sentimento de profunda nostalgia a este momento tão crucial para a história dos mexicanos. Hoje, olhando para trás, é possível ver, ainda que de maneira confusa (como a própria memória e o fluxo de consciência de Artemio Cruz) os episódios que marcaram o início do século XX mexicano. Se o México pós-revolucionário deixou uma grande nostalgia do que foi a Revolução, hoje procura-se o sentido que ela deixou não só para o México em si, mas também para a América Latina, e julga-se, com muita facilidade, o que deveria ter sido feito ou não para que a Revolução tomasse outro curso e deixasse outras marcas na História. Mas esquece-se que, no momento, para aqueles que viviam a Revolução, os sentimentos eram outros e as suas escolhas, como as de Artemio, dependiam muito mais do momento imediato no qual viviam.
            Duas atitudes são possíveis de serem tomadas diante da morte, ou do fim, da Revolução Mexicana: encará-la como criação, para frente. Como podemos ver num partido que se assume como continuidade da Revolução e se mantém no poder hegemonicamente por anos. Ou também como regresso, ou nostalgia, como faz Carlos Fuentes em A Morte de Artemio Cruz: revivendo, criticando e procurando um sentido, de uma maneira bastante poética e desencantada, do que foi a Revolução Mexicana e a política mexicana pós-revolucionária.

Na imagem, Zapata, líder do exército do sul, de Diego Rivera. 

[1] PAZ, Octavio. “Todos os Santos, Dia de Finados”. O labirinto da solidão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984, p. 58
[2] FUENTES, Carlos. A morte de Artemio Cruz. Rio de Janeiro: Record / Altaya, s/d. (Col. Mestres da Literatura Contemporânea, 72), p. 140
[3] Ibidem, p. 39
[4] Ibidem, p. 11

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Rachel Corrie

Nevertheless, no amount of reading, attendance at conferences, documentary viewing and word of mouth could have prepared me for the reality of the situation here. You just can’t imagine it unless you see it – and even then you are always well aware that your experience of it is not at all the reality: what with the difficulties the Israeli army would face if they shot an unarmed US citizen, and with the fact that I have money to buy water when the army destroys wells, and the fact, of course, that I have the option of leaving. Nobody in my family has been shot, driving in their car, by a rocket launcher from a tower at the end of a major street in my hometown. Rachel Corrie

Em 2003 Rachel Corrie foi atropelada por um trator israelense ao se colocar em frente a uma casa de família no território da Palestina que, como tantas outras, estava para ser destruída. O caso teve repercussão porque trata-se de uma cidadã norte-americana e não podemos esquecer quantos palestinos - adultos e crianças - foram mortos antes e depois dela e não saíram na imprensa. No entanto, se não for pela voz dos que têm vozes, quem falará pelos que não têm?

Rachel deixou um legado maravilhoso. Os emails e outros escritos que produziu no período que passou na Palestina ficou para nós e se transformaram em livro e peça de teatro. Os emails podem ser lidos no site da Rachel Corrie Foundation for Peace and Justice, que foi criada á sua homenagem após sua trágica morte. 

Poderia me arriscar a dizer que, pelo menos os emails que eu li, poderiam ser chamados de "diário de Anne Frank moderno"? Acho que sim. Mas as palavras de Rachel doem mais. São mais profundas. Jogam na nossa cara a outra face do ser humano. A face cruel e, ao mesmo tempo, imóvel. E, mesmo que tentássemos, ela nos deixa claro que nunca saberemos o que é este sofrimento pelo qual passa essas pessoas que sofrem as maiores injustiças e atos da frieza humana. O mundo é desigual e injusto e, não sei de  onde, ao longo de seus emails, ela tira forças e esperanças para continuar a lutar num lugar que, a cada dia, lhe apavora mais e mais. 

Se uma coisa que eu pretendo compreender melhor no futuro é este embate que acontece entre Israel e Palestina. Estes campos de concentração e torturas psicológicas que sofreram o povo judeu na Alemanha Nazista, num passado tão recente, e que se espelham agora num povo e numa terra que pouco ou nada tiveram a ver com isso. Mas essa realidade de agora, que também chamo de nazista, que pratica o Estado de Israel é pior. Pior porque tem a aprovação de todo mundo. Pior porque acontece sob os olhos de todos. Pior porque é uma guerra que já acontece há muito tempo e não tem previsão para acabar. 

O site The Rachel Corre Foundation: http://rachelcorriefoundation.org/

Just feel sick to my stomach a lot from being doted on all the time, very sweetly, by people who are facing doom. I know that from the United States, it all sounds like hyperbole. Honestly, a lot of the time the sheer kindness of the people here, coupled with the overwhelming evidence of the wilful destruction of their lives, makes it seem unreal to me. I really can’t believe that something like this can happen in the world without a bigger outcry about it. It really hurts me, again, like it has hurt me in the past, to witness how awful we can allow the world to be. Rachel Corrie

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tipo ruim de pessoa

Acho que se tem um tipo ruim de pessoa é aquela que consegue fazer o mal, desestabilizar pessoas, famílias e ambientes de trabalho e ainda sair por cima como vítima de tudo isso.

Nesta minha última experiência (que já passou, graças a deus!), convivi com uma pessoa assim. É capaz de escolher alguém que se encontre só e ir apontando defeitos e, até mesmo, inventando outros. Até que desestabiliza a paz, traz discórdia, pensamentos e sentimentos ruins que poluem a energia do lugar atrapalhando, assim, até mesmo a convivência entre as outras pessoas. 

Mas essa pessoa também sabe muito falar de Deus! Aprendeu passagens da Bíblia (ou diz que sabe, mas na verdade não sabe) e adora jogar na cara das pessoas como elas não estão seguindo o Evangelho.

Minha dúvida, o que me incomoda lá no fundo, é saber quão intencional estas atitudes são. Será que faz tudo isso sabendo e esperando uma reação negativa da pessoa que está atacando, para ocasionar uma discussão, ou até uma briga? Faz isso pensando e querendo desestabilizar famílias e ambiente de trabalho? Tem consciência de que está inventando argumentos bíblicos para algo que a Bíblia diz o contrário? Quer mesmo afastar as pessoas? Tem a intenção de magoar?

Além de outras coisas, no entanto, é possível aprender uma coisa valiosa com essas pessoas. Muito mais do que você fala,o mais importante é como você fala. Falar um monte de invenção e mentira, mas com segurança e serenidade convence. Transparece sabedoria. Uma sabedoria vazia, é verdade, mas a primeira vista parece verdadeira. 

Ainda bem que para mim nunca pareceu verdadeiro que sou desestabilizada e mal resolvida. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Gordinha feliz

Uma coisa muito difícil de admitirmos é que nem em todos os aspectos somos como queríamos ser e, se esforçar para mudar, nem sempre é o melhor caminho. 

Reconhecer que eu não sou gorda, mas que minhas gordurinhas que tanto me incomodam são, na verdade, parte do meu biotipo, foi difícil. Dizer que isso foi uma superação é, em parte, mentira. Eu ainda me acho gorda, enorme, feia. 

Mas acontece que antes de querer não me sentir gorda, eu queria não gostar de comida. Eu amo comida. Principalmente doces. Segunda feira fiz um bolo de yogurt delicioso para tomar com um belo de um café passado na hora. Na terça, mais bolo. Na quarta, um pão de mel. E na quinta... Bom, agora eu acabei de fazer um doce de banana tão gostoso, mas tão gostoso, que queimei a minha língua comendo ele ainda quente.

Mas se tem alguma coisa que eu não gosto (e ainda bem que meu cérebro não é tão ruim comigo e controla um pouco as minhas vontades) são os embutidos. Mortadela, bacon, calabresa, linguiça, salsicha... De tudo isso eu quero distância. Mas de açúcar... Ah, se pudesse eu casava com o Allan e manteria um affair com ele! 


Acontece que para eu emagrecer e ser do jeito que eu queria ser - uma atriz da Malhação -, eu teria que me privar de muita coisa. Parar de fazer meus bolos, deixar de comprar um chocolate lá e outro aqui, não curtir um gostoso pedaço de pão com manteiga aviação, passar longe das cafeterias e seus cappuccinos e, até mesmo bloquear todos os sites de culinária no meu computador. 


Como disse no post anterior, estou treinando corrida. Correr dias alternados me faz sentir menos culpada por gostar tanto de coisas gordinhas. Acontece que tenho um gosto gordinho por comida. Fazer o que se Deus me fez assim? Mas também não posso dizer que as corridas têm sido um sacrifício. Pelo contrário, a cada treino ela se torna mais prazerosa. 

A parte mais difícil disso tudo é aprender a ser feliz não sendo uma atriz da Malhação e que eu tenho que me amar como eu sou, porque sou muito amada com meus 59kg e 1m55, e isso é o mais importante de tudo. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Férias paradoxal

Férias é um paradoxo. Estou cansada.

Tenho uma lista de coisas que quero fazer. Entre elas estudar para o meu relatório de estágio (que envolve teoria arquivística e metodologia histórica), estudar inglês, espanhol (coisa que nem comecei), voltar a praticar corrida e ler O Cemitério de Praga de Humberto Eco. De tudo isso, a única coisa que fiz foi voltar a correr.

Uma vez li na internet que o corpo "responde rápido aos bons tratos". Aos maus também. Mas voltar a correr tem sido um prazer.

Do resto... Nada. Isso porque queria incluir nas minhas férias uma viagem de uma semana, ida ao dentista e... Descanso!

Incrível! Quanto mais tempo se tem, menos consigo fazer!

Lembro do post que escrevi sobre ter menos horas no dia, para que os afazeres diários não nos sobrecarregassem. Oras, nas férias (mas somente nas férias), poderia ter um pouco mais de horas os dias, pois, assim, dedicaríamos mais tempo para nós mesmo e não para o trabalho e/ou faculdade (como tenho feito agora). Ops! Estou caindo nas armadilhas da contradição.

No fim, acho que se trata de um enigma. Um puzzle que tenho que resolver na minha vida e transformar as férias em algo produtivo, mesmo que falte tempo. Antes que ela acabe.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Voltaire e a Imaginação Histórica


Voltaire, pseudônimo de François-Marie Arouet, foi um importante filósofo do século XVIII que fez parte e marcou profundamente o pensamento Iluminista. Sua escrita é ácida, cheia de ironias, mas também é sua ferramenta de ataque à muitas instituições de sua época. Em “A Filosofia da História”, Voltaire transparece muito de seu pensamento a partir do que ele concebe como História. Apesar de ser comumente chamado de filósofo, isso acontece apenas por convenção, pois também possui obras de outros gêneros, como narrativa e textos de cunho histórico, como serão analisados com mais detalhes aqui. 

Um dos principais alvos da crítica Iluminista era a Igreja. Os pensadores iluministas defendiam a emancipação do individuo, que precisava se libertar das tutelas não só da Igreja, como também do Estado, e pensar por si próprio, livrando-se de fábulas, crendices, combatendo assim o preconceito e a superstição. Voltaire, como faz parte dessa época, não pensava diferente. Para ele, a História está permeada de fábulas que foram sendo criadas para explicar o passado, mas que estão muito distante da realidade, ao mesmo tempo em que seu compromisso é com a verdade. Em nenhum momento ele desvincula a História da escrita, a primeira depende da criação e do aprimoramento da segunda para existir, pois, segundo Voltaire, até a existência de homens que tivessem tempo e meios para registrar os acontecimentos, estes eram passados oralmente de geração em geração, perdendo assim o compromisso com a verdade e sendo permeada de fábulas e fatos inverossímeis. Por isso, dentro de seus vários exemplos, as referências à História Antiga são usadas muito mais como crítica aos autores contemporâneos – que ás vezes fazem uso da mitologia como relato verdadeiro da História - do que como método histórico, pois, quanto mais distante do tempo presente, menos compromisso a História tem com a verdade. 

Voltaire leva muito em conta o tempo que leva o progresso de uma civilização. Desta maneira, muito longo foi o tempo em que um determinado grupo de pessoas foi capaz de desenvolver a agricultura, a pecuária, a construção de casas e outros, para depois ser possível o desenvolvimento das artes e da escrita. As origens dos povos, portanto, constituem mitos, pois nas suas origens, esses grupos de homens estavam muito mais preocupados em aprender outras coisas das quais dependia sua sobrevivência do que a perpetuação da memória. 

A História, para Voltaire, tem este forte compromisso com a verdade, pois ela constitui um instrumento de educação moral. A ideia de História é bastante pragmática para nosso autor: o que deve ser registrado são os fatos extraordinários, tanto para o bem quanto para o mal, para que eles sirvam como exemplo do que deve ou não ser feito. Se ela tem um intuito moral, Voltaire reconhece que a História se aproxima da fábula, cujo objetivo também é a instrução moral, mas, a força retórica da primeira se sobressai, pois ela carrega em si a veracidade e se aproxima das capacidades do ser humano. Se somente o extraordinário merece ser registrado, o que não for moralmente útil torna-se fofoca e compõe o que Voltaire chama de História Satírica. Mais uma vez transparece o seu compromisso com a verdade, pois esta última categoria de História também não tem o cuidado de transparecer o verdadeiro, comprometendo-se com adulações ou sátiras, geralmente feitas por partidários políticos. Por isso a necessidade de se libertar não só das amarras religiosas, mas também políticas.

Outra obra que transparece muito do seu pensamento é “Cândido”, no qual, em forma de narrativa, Voltaire tece suas principais críticas à sociedade de sua época. O protagonista Cândido é educado por Pangloss, uma caricatura do filósofo do século XVII Leibniz, que acredita que vivemos no melhor dos mundos possíveis, pois foi criado por Deus, que é bom, poderoso e perfeito. Se existe o mal, é porque ele faz parte deste mundo perfeito e se há coisas que concebemos como imperfeitas, é porque nossa capacidade humana é incapaz de compreender a criação divina. Cândido, desta maneira, está sempre preso a essa educação moral que entra em constante choque com a realidade vivida pelo protagonista ao longo da narrativa, dado os inúmeros incidentes em que ele sempre se encontra. Essa educação que tende a formar pessoas cultas e instruídas, mas incapazes de pensar por si próprias e adquirirem um pensamento crítico diante da realidade é a principal crítica do livro.

Outra crítica bastante ácida que Voltaire faz ao longo da narrativa de Cândido é contra a instituição católica. Ele critica a dominação jesuítica na América denunciando o clero como corrupto e mundano. Além da relação que um Inquisidor-mor mantém com Cunegunda, a amada de Cândido, seu irmão também tem uma relação com um jesuíta que parece ser homossexual. A Igreja também é mostrada como supersticiosa e responsável pela condenação de gente inocente, como quando responsabiliza algumas pessoas, inclusive Cândido e seu mestre Pangloss, pelo terremoto de Lisboa e as condena à fogueira. 

A passagem de Cândido por Eldorado também é bastante emblemática. Lá, a moeda oficial é a libra esterlina: “Ficou pronta em quinze dias e não custou mais do que vinte milhões de libras esterlinas, moeda do país” (pag. 86). O Eldorado seria, então, uma referência à Inglaterra, que Voltaire admirava, pois, segundo ele, existiam lá mais de uma religião e elas viviam em tolerância umas com as outras e também fazia assim uma crítica mordaz ao absolutismo francês. Voltaire carrega em sua obra uma valorização do ideal burguês, ou seja, o enriquecimento através do trabalho, indo de encontro, portanto, ao ideal da nobreza. A última frase do livro: “- Está bem dito, responde Cândido, mas é preciso cultivar nosso jardim” (pag. 157) se refere a esse ideal burguês de valorização do trabalho, ao mesmo tempo em que o “jardim” pode ser interpretado como a existência e os acontecimentos futuros da vida de cada um. Não mais é o mais perfeito dos mundos onde impera a passividade, pois se é o melhor dos mundos, não há o que ser feito para melhorar o que se julga errado, mas o mundo em que é preciso cuidado com a realidade vivida. 

Vale mencionar ainda que para Voltaire o progresso está nas ciências e nas artes, portanto, bárbaros não são apenas os búlgaros que espancam Cândido e invadem e saqueiam o castelo de seu tio matando sua família, mas também os considerados “civilizados”. Em “Introdução ao Ensaio sobre os costumes” no capítulo VII “Dos selvagens”, Voltaire também chama de selvagem todos aqueles que se reúnem semanalmente numa igreja para ouvir as palavras do sacerdote de quem não entendem nada e que se alistam em exército para matar pessoas em guerra e ganhar um quarto do que poderiam ganhar trabalhando em casa. Ele completa dizendo que os selvagens da América são ainda superiores aos selvagens europeus, pois têm embaixadores e representantes que se comunicam com os europeus que lá chegam, além de outras características que Voltaire atribui como qualidades civilizadas. Voltaire critica, assim, como selvagens aqueles ainda ligados ás amarras e ás tutelas do Estado e da Igreja, incapazes de pensar criticamente por si próprios, mas capazes de contribuir com dízimos uma instituição cujos dizeres não compreendem e matar e morrer por um Estado Absolutista e uma nobreza com a qual não se identificam.

O pensamento de Voltaire é abrangente e complexo, muito ainda poderia se dizer sobre sua obra, mas em geral, Voltaire reflete o pensamento de sua época e mostra que havia uma percepção de História pragmática, como instrumento de instrução moral num contexto em que a educação emancipacionista era vista como forma de mudar e melhorar a realidade. 
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Trabalho que desenvolvi para a disciplina de Teoria da História I.

terça-feira, 26 de junho de 2012

International Organizations

Talking about something we’re not familiar with is very complicated. Sometimes, we think we have points to talk about some issue, but in the moment we need to type the words, we realize we don’t have arguments to defend the ideas we suppose are the correct ones. This is what is usually called common sense and, even though, we try to run away from it to say we have very critical thought, we cannot comprehend everything and, in some points, we end up having the so-hated common sense.

That’s what happened to me with this composition I should write about International Organizations. I caught myself looking for arguments to defend Greenpeace as a successful international organization, instead United Nations, which for me, was a frustrated one. But, the only argument I could think about was that non-governmental international organizations are the most successful ones because they don’t have politicians and countries involved, so they would have nothing to lose and that’s why Greenpeace was always on the media. On the other hand, in my original idea, United Nations and other governmental international organizations have commitments with their own countries, which always involve politics, economical interests and international diplomacy.

Having this point of view, Greenpeace was for me the best possible international organization. I believed that all their actions we see on television, like the whaling ship they sank, was a victory and, because they don’t have any commitments, they could have these radical attitudes without bad consequences.

Looking for it and talking to people who understand better about International Organizations than me, that was not the case, instead. Although Greenpeace ideology is to make use of direct actions, this method has received much criticism and the world sees Greenpeace now as a group of terrorists. In what Greenpeace indeed succeeded was to call the world’s attention to the environmental issues, but the money they raise to their campaigns is accused of not being for legitimate causes, and the arguments they present for their causes are being considered as failed ones.

On the other hand, despite everything I was thinking about governmental international organizations, I noticed that the World Trade Organization is a very good example of this kind of establishment. Despite the critics accusing the WTO of being a controller on the international trade, which would be one of the responsible for the economical crises we’re facing now, the WTO has been fulfilling their job in insuring the fair prices in exportations and importations. In some points, their main rule of not having any most favored country in tariff barrier is being reached, even though, in practice, some countries try to skip and cheat the international agreement of world trade. Nevertheless, WTO is considered a case of success.

About the United Nations, however, my point of view is still the same. Its beginning was already complicated when it created the State of Israel inside the Palestinian territory. What they have done until nowadays, may have avoided some conflicts, but disputes, invasions, killings and other types of imperialism and violence are still happening. The genocide Ruanda suffered in 1994, the United States’ invasion in Iraqi in 2003, the famine that occurs in Palestine, the rape women suffer in some African countries, and many other examples that could be mentioned just demonstrate how United Nations behavior is much more political than humanitarian.

In conclusion, I saw that the success of an International Organization does not depend on the fact if it is governmental or not, but the role they play in the international scenario and how do they manage their actions to reach what they want. We cannot forget that if administrate one single family is already difficult because everybody is different from each other, to manage the concerns of several countries must be an even greater challenge; not forgetting that the individual interests, sometimes and unfortunately, overlap the collective sake. 


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Let's all be suns!

Tem gente que reclama que tem muito pouco tempo e que 24 horas por dia é insuficiente e, por isso, o dia poderia ter 36 horas e muitos problemas acabariam. Meu deus, se fosse assim, nosso mundo seria pior do que já é!

Eu sou a favor do dia ter menos horas! Ele poderia ter apenas umas 16. A gente vai dormir umas 10h30 da noite e acorda por volta das 6h30 e 7h. Pronto! Ainda teríamos mais oito horas pela frente. Dentre as quais poderíamos trabalhar/ estudar durante três e o restante, consumir para nós mesmos. 

Trabalharíamos menos e teríamos menos responsabilidades, pois, pela falta de tempo, o trabalho teria que ser mais bem dividido de maneira que uma pessoa não ficasse acumulada de tarefas e não conseguisse cumpri-las todas antes do fim do dia.

Poxa, estou sendo muito utópica, não é verdade? Isso me lembra até o Fourier! Mas a verdade é que a melhor parte do dia, para mim, é antes do almoço. Adoro acordar relativamento cedo - antes das 9h, para aproveitar ao máximo a manhã; enquanto que a noite, procuro sempre dormir o mais cedo possível para o dia acabar logo! Depois do almoço, tudo se volta para a necessidade de voltar para a casa, o cansaço depois de encher a barriga atinge nossas capacidades físicas e intelectuais e tudo o que queremos é não estar no compromisso de trabalhar/ estudar ou qualquer outra obrigação. 

Até a refeição da manhã é melhor! Um leite morno com um café passado na hora, um pãozinho ainda quente com a manteiga derretendo, uma fruta doce e, de vez em quando, um bom pedaço de bolo de fubá. É quando estamos no melhor da gente - depois de uma boa noite de sono, é claro. E, também, é um momento de otimismo, de que faremos do nosso dia o melhor possível; enquanto que a noite, bate muitos arrependimentos: "Deveria ter ido à academia.", "Deveria ter terminado aquele projeto ainda hoje.", "Não deveria ter comido aquela feijoada no almoço que está me fazendo mal.", "O dia estava tão bonito, poderia ter ido ao parque.", e muitas outras. 

Campanha para que sejamos todos sóis! Assim, nascemos pelas manhãs e, nos dias quentes, vivemos mais; enquanto que nos dias nublados e frios, a gente nem exista - que só existamos na luz, no calor e na felicidade de bons cafés da manhã. 

sábado, 16 de junho de 2012

Existing

Sinônimo de vida, existência.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Do you think stereotypes say something about one nation?


Heaven is where the cooks are French, the police are British, the mechanics are German, the lovers are Italian and everything is organized by the Swiss.
Hell is where the cooks are British, the police are German, the mechanics are French, the lovers are Swiss, and everything is organized by the Italians.


Stereotypes are everywhere. It may be a joke most of times, but the problem begins when it starts to be considered the truth. It is said that French people are smelly because they don’t like taking baths and they are all arrogant, American food is only fast food, Italians are bad workers, British people like tea, all Asians look the same, Spaniards don’t brush their teeth and so on. If we think about Brazil, it is said abroad that all Brazilians dance samba, like Carnival, are always late for their appointments and there are no big cities in the country, only rain forests and beaches. Despite all this, there are also good stereotypes about nations. Still about Brazil, we are known as very hospitable people and the Italians for being good lovers; it is also said that Asians and Europeans are very punctual on their appointments, French people make good food and Japanese are hard workers.

These stereotypes are propagated by media, cartoons, propaganda, popular books and others. Disputes between nations are the main responsible for the spread of this kind of jokes that end up as common sense. That’s the case, for example, about the jokes Brazilians make against Argentineans. For us, our neighbors from the south are all hairy, fools and terrible soccer players. Despite that, we also recognize they have a very good barbecue – but that’s it. There are other sources of stereotypes, though only disputes were mentioned. Lack of studying and ignorance is also responsible for propagating some lies that seem to be reality. That’s the case about many things that are said about Africa. Most people think the continent as a unique country and Africans are all the same, not considering the various tribes and ethical issues they have because the variety of ethnicities and land divisions; because this homogeneous idea about Africa, people think all Africans look the same and Egypt is not even considered an African country.

Yanko Tsvetkov is a Bulgarian designer and illustrator who took these stereotypes concepts to make jokes by his art. He created a series named Mapping Stereotypes in which several maps are made depending on the view of different nationalities. In this way, in the map according to the world seen by an American, United States is tagged as “civilized world”, Russia as “Commies” and Africa as ”AIDS”, for example. For the Vatican, on the other hand, Italy is tagged as “Papal State”, whereas Germany is tagged as “handsome blond boys” and France as “promiscuous atheists”. Some references Tsvetokov makes are difficult to understand, because they are not part of our reality, but the majority is understandable. It is also difficult to define until what point the designer is making a joke or being disrespectful. The stereotypes are part of the common sense, but shall we combat or reinforce them?

The only abroad experience I had the chance to live was the trip I made for five weeks to the United States. In this meanwhile, unfortunately, I could confirm many American stereotypes we see every day in the media, especially about consumerism: even if they wouldn’t eat so much, their plates were full of food that was going to be thrown away; because she didn’t like washing the dishes, the plates and glasses my host mother offered me were all disposable; the heater indoors are always on even if the weather is not cold, etc. I tried, however, land in the United States open-minded and I noticed that, even if there were lots of fat people, the support for sport exists and it is very good. Just another good observation: we first think United States as a country of fat people, but I could see they are not the majority as we tend to think they are (at least in the places I have been).

Asking the opinion about this issue to a friend who has gone to Argentina, I asked her the stereotype she demystified about Argentineans. She said that Brazilians call them as arrogant people, but in her opinion they are just more quiet and serious. This situation explains a lot of what I think the stereotypes say about one nation. It will just say something if you let it. In other words, the national stereotypes are something dangerous when it becomes prejudice. If someone arrives in France truly believing French people are smelly, that’s what they will smell. We need to be open-minded and be careful to not assimilate what could be inoffensive jokes to prejudice.

Answering the question I made above, I think we must neither combat nor reinforce the national stereotypes, but also not taking them too seriously. Traveling is a good and the most efficient way to go against stereotypes and prejudice. Seeing other cultures, trying new flavors, living experiences that go much beyond our routine, bring us knowledge and information. The every-day life transforms us into narrow-minded people and that’s what we must combat.  

terça-feira, 12 de junho de 2012

Valentine's Day




I try to make everyday our Valentine's Day. I'm sorry for the times I failed on that. 

I love you.

PS: You and me riding our future car!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Creative Writing 2 - Rose and her big heart

Rose had a very big problem. Because she had such a big heart and she could love so much, she was infatuated with every boy in her school and she had an obsession with all of them. 

Although Jamie was that nerdy boy with thick glasses, Rose had a passion for him because he was very cultured: due to his readings, he could be very analytical and had much eager to learn. Before tests, he always helped her and she was always proud of his grades. 

Jim, however, was Jamie’s opposite. He was very charismatic and charming. He had an ability to play soccer and he was the best player in school, so he was very energetic and intuitive. But, what Rose most liked of him, was the fact that he was very modest, although he had so much attention during the games season. 

Rose also had a fascination with Peter. He was an aloof boy and because of that, he and Rose never spoke so much with each other, but what they have talked was enough for Rose, so she could notice how observant he was and how he could control his impulsive feelings, although he was very emotional and sensitive. 

Rose also had a love of Daniel who was a very pragmatic and articulate boy. He was the chess team leader and he was great at leadership, because he was very good at solving problems and, at the same time, he was very self-effacing. 

All the boys Rose loved were very respectful people and she had a reluctance to only two boys from her school. 

John was very meticulous and persuasive. Rose hated devious people, because they observe people’s feelings to harm them later. Brian was very detestable too. Because he was physically strong, he was provocative to hit people in any occasion that pleased him. 

Despite these two boys, Rose was very happy in admiring all her lovers and feel butterfly in her stomach every time she was around them.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

The homeless and the ignorant


Andar de trem pode ser perigoso. Não por causa dos momentos em que ele está lotado, não pelo perigo que corremos em ser assaltados, muito menos pela chance de ele sofrer uma pane e chegarmos atrasados aos nossos destinos. Ele pode ser perigoso pelas conversas que ouvimos dessa classe média que se acha rica e abomina pobre, mas está fazendo uso de um transporte público capenga por falta de política pública que, por sua vez, é resultado de voto inconsciente e falta de senso de cidadania. 

Ontem estava saindo da região metropolitana de São Paulo, Santo André, em direção ao centro de São Paulo,  na estação do Brás. Essa linha de trem foi construída no início do século XX e era parte da ferrovia que ligava Jundiaí ao porto de Santos para carregar o café para a importação. Incrível, mas essa mesma linha foi modificada, ajeitada e agora ela transporta pessoas. A estação do Brás, inclusive, fica pertinho da antiga Hospedaria do Imigrante, que era para onde eu ia na frustrada tentativa de entrar na festa do imigrante se não fosse a fila quilométrica.

Enfim, andar de trem pode ser perigoso porque são uns 40 minutos que, se você não está ouvindo música, lendo um livro ou se distraindo com outra coisa, as conversas das outras pessoas se tornam um atrativo, mesmo que ruim. Foi assim que eu ouvi uma senhora, bem senhora, falando para outra senhorinha, que é um desperdício enorme deixar tanto vagão de trem abandonado ao longo do trilho apodrecendo. Eles deveriam servir, segundo ela, de abrigo para mendigo. Acho que para ela mendigo fica poluindo a cidade, né? Então, a solução seria colocar todos dentro destes vagões e fazer eles assinarem um termo para evitar confusão. E o banheiro? Bom, ela pensou nisso também. Ela sugeriu que a cada dois dias a prefeitura trocasse um banheiro químico que ficasse à disposição deles. 

Olha, eu não tenho uma sugestão perfeita sobre o que fazer com a população que mora na rua a curto prazo, mas trancafiá-los num lugar que fica no meio do nada sem condições básicas nenhuma, também não é a solução. 

Minha crítica não é diretamente a essas velhinhas que não entendem nada de política pública, mas o que elas falaram reflete, infelizmente, um modo de pensar de toda uma classe social que influencia diretamente na decisão dessa classe em frente às urnas. Oras, políticos com propostas à políticas públicas direcionadas às classes mais baixas sempre são mal vistas pela classe média e alta que desejam políticas de melhorias para sua própria classe social. O que fazer com mendigos, retirantes, etc? Oras, fácil, colocá-los em vagões de trem abandonados. 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Creative writing 1 - Sometimes

Sometimes, but just sometimes, sadness fulfills her heart. She doesn’t know exactly why. Pensa, pensa, mas só consegue sentir uma vontade de… Nothing. 

What if I go to the gym? – She thinks… Não adianta, porque está sem vontade. 

What If I read a book? – She thinks… But, in deep, ela também não quer. 

What if I change my life completely? – Mas de onde tirará vontade para isso? She thinks... What if the problem is not my life, why would I change it? 

In the end, she thinks too much, she feels even more, but she does nothing. 

Talvez seja uma fase, talvez TPM… Maybe she has too much to do, maybe not. 

Perhaps she’s just complaining… Talvez um café a anime. 

What she does for sure, é tentar se convencer que Schopenhauer está errado: a dor não existe simplesmente com a consciência de que somos seres históricos. And someday, just like yesterday, she’ll reach the pleasure, which is not having pain. 

Tomorrow, ela se decidiu, she’ll leave the bed, fará um café quente e gostoso, will go to class, aproveitará o máximo que puder, will see her friends, irá rir com eles and will go to the movies to see something different. She’ll move on and, for sure, encontrará mais prazeres do que dores, porque Schopenhauer não sabia de uma coisa, happiness lies where love is. 

To conclude, there is her problem: falta de amor e de ação. It is needed to love and to do more, not just for her, but for her loved ones.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Saúde pública

- Oh Pangloss, gritou Cândido, eis uma estranha genealogia! Não seria o diabo o seu tronco?
- De modo algum, replicara o grande homem. Era uma coisa indispensável no melhor dos mundos, um ingrediente necessário. Pois se Colombo não houvesse contraído, numa ilha da América, esta doença que envenena a fonte da geração, que frequentemente impede a geração, e que é evidentemente o oposto da grande meta da natureza, não teríamos nem o chocolate nem a cochonilha. É preciso ainda observar que hoje, em nosso continente, esta doença nos é própria, como a controvérsia. [...]
- Eis o que é admirável, disse Cândido, mas é preciso curá-lo.
- E como posso fazê-lo?, disse Pangloss. Eu não tenho um tostão, meu amigo. E em toda a extensão deste globo, não podemos sofrer uma sangria nem fazer uma lavagem intestinal sem pagar ou sem que haja alguém que pague por nós. [...]
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Acesso ao serviço de saúde pública: um problema desde o século XVIII.

Let's set to work?


I have a big family. Besides me, my mother and my father have three more children. When my oldest brother was 8 and my youngest sister was 3, my father injured his feet and my mother, who had never left us alone before, had to take him to the hospital and me and my siblings stayed all by ourselves at home for around four hours. During this period, we set to work. My oldest brother set the dog loose inside our living room and my youngest sister set all her paints she made at school into the wall. My middle sister decided she would make pancakes and she almost set the house on fire. At the time, I was only a six-year-old boy and, as my sister was cooking, I started setting the table to eat the pancakes she was making. The problem is that I couldn’t reach the dishes so I set everything I could on the floor to climb. For luck, an older cousin, who has always set an example for all of us, arrived and seeing all that mess, set clear targets for the four of us arrange what we had done. For my older brother, besides cleaning the mess the dog had done at the living room, he set him the responsibility of looking after his younger siblings! 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Too late to not wanna grow up

A gente não percebe que está crescido quando começamos a criticar deus e o mundo, nem quando achamos que criamos maturidade e muito menos quando saímos da adolescência e chegamos aos 21 anos com uma carteira de motorista.

A gente acha que nos tornamos adultos quando começamos a trabalhar, quando criamos responsabilidade para sair sozinhos sem avisar os pais e, principalmente, quando começamos a ter liberdade para passar noites fora de casa. Achamos que viramos "donos de nossos próprios narizes" depois da primeira vez, do primeiro copo de cerveja, da primeira DP... Quando começamos a tomar pílula, passar creme no rosto para evitar futuras rugas e comprar camisinha na farmácia. 

Tudo isso, quando éramos crianças e pré-adolescentes, era "tão coisa de adulto". 

Mas, virar adulto não é legal e a gente só percebe isso quando as escolhas começam a pesar. Não é quando começamos a pagar nossas próprias contas, nem quando começamos a morar sozinhos, tão menos quando casamos e temos filho. Virar adulto é ter cuidado com cada decisão, com cada passo tomado, pois sabemos que um desvio pode prejudicar tudo o que construímos ou prejudicar quem mais amamos além de nós mesmos. 

Não são mais os nossos pais que escolhem as coisas por nós e essas escolhas não são tão simples como "que roupa vou colocar no dia seguinte?". São decisões como mudar de emprego, começar um novo curso, frequentar uma nova igreja, sair ou não com aquela pessoa que você acha que é seu amigo, mas desconfia, separar-se de seu esposo/a, mudar seu filho de escola, fazer ou não aquela viagem dos sonhos que vai acabar com suas economias, comprar ou não um carro que também vai acabar com suas economias, mas vai te salvar de horas no ponto de ônibus? Mudar de área de trabalho ou ficar confortável onde já está? 

É difícil, mas é necessário ficar ponderando... Fazendo balanças com pontos negativos e positivos. É chato. Frustrante. 

Agora eu entendo porque Peter Pan não queria nunca crescer! Ao assistir o longa, sempre pensava porque raios ele não queria ser independente dos pais, trabalhar e ter sua própria casa e cachorro? Oras, hoje vejo que isso não tem nada a ver se você é adulto ou não. O próprio Peter Pan conservava uma carinha de criança e se dizia uma, mas suas responsabilidades eram de adulto. Ele tinha a quem cuidar, enfrentava guerras e vilões. Era um líder... Mas nem nosso herói aguentou tanta responsabilidade com escolhas a serem feitas que afetava todos os órfãos a quem tanto amava e precisou, até ele, ir atrás de ajuda! 

É, a vida adulta chegou! Ela chega mais cedo para uns do que para outros, mas é igual ao curso teórico tão agradável que a gente faz por duas semanas para tirar a carteira de motorista: todo mundo tem que passar por isso uma vez na vida! Não é, Allan?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quando o ultra-moderno se une ao antigo

Nestes últimos três dias participei de um Workshop promovido pelo IEB, MAC e IPEN sob o patrocínio da CBE Embrarad e a IAEA. O título desta oficina era "Preservação de papéis e bens culturais: o uso da radiação ionizante". Vocês já conseguem me imaginar como uma super especialista e interessada em radiação gama e os efeitos químicos e físicos em tudo isso, não é? Mas eu fui lá muito mais com um ar de arquivista e historiadora, que sempre tem em mente a preocupação da conservação da memória.

O que eu vi foi uma coisa interessantíssima. Quando a radiação gama foi criada, a preservação de bens culturais era um objetivo quase inimaginável para os cientístas que trabalhavam com esta questão, mas como o mundo é muito contraditório, hoje ela é um importante, eficiente e econômico instrumento de preservação de papéis, bens culturais e, inclusive, artefatos arqueológicos. Foram dois dias de várias palestras e estudos de caso e, no terceiro dia, uma visita ao irradiador do IPEN, o Instituto de Pesquisas Nucleares. As palestras mais técnicas sobre a aplicação e o funcionamento da radiação gama me foram pouco úteis. No entanto, sua eficiência como instrumento de preservação de documentos de arquivos foi fenomenal. 

O workshop começou com uma das melhores palestras possíveis: a desmistificação do uso de radiação. Ao contrário do que pensamos, os estudos e a aplicação radioativa acontecem sempre com muito cuidado e o manuseio de algo irradiado não nos tornará verdes, tão menos mutantes. Muito do que comemos ou temos acesso foi irradiado em algum ponto de seu processo antes de chegar até nós: temperos, condimentos, flores e frutas destinadas à exportação, instrumentos médicos e até mesmo bolsas com sangue doados que serão usados para transfusão. A conclusão primária foi: não fazemos ideia de onde vem e pelo que passa as coisas que comemos, compramos ou somos submetidos, pois, praticamente, tudo é irradiado.

Mas porque irradiados? Bom, porque a irradiação gama tem a capacidade de, em pouco tempo, desinfectar e desinfestar quaisquer objetos que são inseridos nos irradiadores. O que vimos nos estudos de caso foram documentos e objetos de arte consumidos por fungos, cupins, larvas e brocas que, quando submetidos aos irradiadores, foram "limpos" destes seres biológicos e livres de sua degradação, prontos para serem submetidos ao restauro e limpeza sem que os especialistas corressem algum risco de doença por estar em contato com estes seres. 

Um dos estudos de caso mais interessante foi o da Fernanda Mokdessi Auada. Ela e sua equipe foram responsáveis pelo restauro de toda a documentação dos orgãos públicos da cidade de São Luiz do Paraitinga, localizada no Vale do Paraíba, depois da enchente desastrosa que sofreu no início de 2010. Foi um caso muito noticiado, acredito que muita gente se lembra da Igreja do centro da cidade que desmoronou por causa da água. Enfim, as fotos dos documentos fungados que chegaram a ela foram chocantes. Não acredito na possibilidade de alguém trabalhar com aquele material sem adquirir, no mínimo, uma forte reação alérgica. Os documentos estavam preto, rosa, laranja e de quaisquer outras cores que colônias de fungo podem ter. Imediatamente estes documentos foram irradiados, tiveram seus "inimigos biológicos" detidos e, finalmente, foram restaurados e puderam ser manuseados novamente.

Apesar de incrível e maravilhoso, a gente sempre tem que ficar com um pé atrás, não é mesmo? Por isso que me pareceu que este workshop foi muito mais uma propaganda da possibilidade de irradiação e das poucas empresas que prestam este tipo de serviço aqui no Brasil, do que uma discussão sobre o uso de radiação gama nos papéis e bens-culturais. Não houve um palestrante que mostrasse os contra-pontos desta técnica, somente o endeusamento dela. Eles nos passaram muita segurança em relação o seu uso, é verdade, mas faltou os argumentos adversários. 

Hoje, durante a visita do irradiador, fiquei sabendo da informação mais chocante destes últimos três dias de workshop: a quantidade de radiação para matar um ser humano é de 10 grays, enquanto que a quantidade mínima para desinfestar um objeto infestado de cupins ou outros insetos, é de 10 kgrays. Não me lembro a quantidade exata, mas lembro-me perfeitamente de que o valor estava na casa dos kgray. Somos mais frágeis que insetos. 

Enfim, foi uma experiência muito legal, que me possibilitou a reflexão de como técnicas ultra-modernas podem se aliar à artefatos antigos para a sua preservação e perpetuação da memória.  

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mãe,

São três letras apenas
as desse nome bendito.
Três letrinhas, nada mais...
e nelas cabe o infinito.
E palavra tão pequena,
confessam mesmo os ateus.
És do tamanho do céu
e apenas menor do que Deus.

(Mário Quintana)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cinco semanas em terras americanas

Me sinto mal por não ter escrito aqui há tanto tempo. A melhor desculpa é que nunca há tempo, mas isso é mentira. A verdade é que quanto mais somos forçados a escrever, mais a gente quer escrever. Agora, se isso se torna uma opção, a preguiça fala mais forte e acabamos por fazer nada.

Ano passado, em Outubro se não me engano, me inscrevi para uma bolsa de cinco semanas nos Estados Unidos financiada pelo Departamento de Estado Norte-Americano para aprender sobre a cultura e a história dos EUA no mês de Janeiro deste ano. A inscrição e a seleção foi feita pela embaixada e, mesmo sem fé, eu fui selecionada. Desta maneira, eu e mais 19 brasileiros de várias partes do Brasil tivemos essa chance maravilhosa de viver o que, pelo menos a maior parte de nós, não poderia custear essa vivência no exterior tão cedo. 

Minhas impressões em terras norte-americanas foram boas, más e limitadas. Esta última, não porque cheguei lá "narrow-minded", mas porque das cinco semanas que lá fiquei, quatro foram numa cidadezinha minúscula na Carolina do Norte e apenas quatro dias em Washington. Ou seja, o mais perto que a maior cidade-símbolo estadunidense ficou de mim, foram quatro horas de distâncias nos quatro dias que fiquei em Washington. Nesta cidade minúscula de North Carolina, fiquei alojada e assisti todas as aulas do programa em uma universidade historicamente de negro. A partir daí já dá para ter uma ideia de algumas das impressões que eu tive. Tudo era uma oposição de negros X brancos. Desde as músicas, as boates, o transporte público até a Universidade e a Elementary School. 

Engraçado que na mesma cidade, encontrava-se além da North Carolina Central, que foi onde eu fiquei, a Duke University, a Chapel Hill e a North Carolina State. Estas últimas três pareciam ser as "universidades de branco", enquanto a última a "universidade de negro". Perguntando a um aluno da North Carolina Central se ele num achava isso um pouco excludente, sua resposta foi que não, porque a Central lhe dava a oportunidade de estudar assim como os outros tinham nas outras universidade. Sim. Isso em pleno século XXI.

O que eu vi nesta cidadezinha, não foram puritanos, mas pessoas de mente muito retrógrada, presas e vítimas de preconceitos cristalizados que se institucionalizaram. 

Sobre outros aspectos, o consumismo é algo exagerado neste país. Não só na compulsividade de comprar 20 pares de tênis ou outras coisas desnecessárias, apesar de isso ser de praxe, mas em relação também a comida. Pratos lotados de comida que seria jogada fora, pratos e copos descartáveis dentro das casas para evitar lavar louça, espaços físicos de lojas e shoppings enormes sem necessidade (pois havia pouquíssimos habitantes da cidade e tudo isso fica relativamente vazio), sem contar as ruas que mais pareciam estradas: tudo queria ser grandioso.

Os últimos quatro dias, no entanto, foram o que fez vale a viagem. A grandiosidade se mostrou presente nos monumentos de Washington e em seus museus, mas a cidade e o shopping tinha uma cara muito mais urbana e muito mais próximo do que estou acostumada a ver e viver em São Paulo. Havia metrô e ônibus acessíveis, coisa que não existia em North Carolina, e isso nos dava mobilidade. Não era mais preciso depender de carro (coisa angustiante para um aluno de intercâmbio) e tudo ficou mais perto: lojas, restaurantes, parques, museus, etc. 
O paradoxo dessa viagem foi que nas quatro primeiras semanas, minha vontade era de nunca retornar em solo americano novamente; em compensação, quatro dias em Washington foi o suficiente para eu voltar e fazer planos de economizar dinheiro, tirar novamente o visto e voar direto para Washington e depois pegar um ônibus na rodoviária e conhecer New York. 

Minha conclusão é que espaços fechados e isoladas tendem a se tornar narrow-minded-places (autoria by me). Temos que procurar cidades cosmopolitas para visitar, ao contrário, a tendência é duas: ou ficar igual a gente que você conheceu na viagem ou odiar o lugar que você foi. Se não fosse Washington, sairia com uma visão péssima, porque ruim é muito pouco, do que são os EUA. Por isso, futuras viagens que dependerem da minha escolha, serão sempre para cidades cosmopolitas (comecei a gostar dessa palavra!). 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Considering the Euro crisis and the French elections, what's the future of tourism in Europe?

For the Western part of the world, Europe has always been the center of the universe. The History learned in schools is all European and even when Africa and America are studied is because Europe “discovered” them in the 15th century. Nowadays, United States occupy a big role in the worldwide scenario and China is also getting a big part of it too, but the old Europe, even after its relative loss of importance, still represents a “matriarch” for world’s politics and economy. 

Its history, because is what we most learn in schools and from general media (some European events are better known than our own history’s notable happenings), enchants everybody. The spread idea that Europe is the cradle of civilization is the responsible for thousands of people who were not born in Europe and want to live or visit its countries. The most desired destinations are always the same: France, Italy, Germany, England, Greece, Spain and Portugal. 

The first of our list, France, is facing now intense debates between their candidates for the presidential elections and the immigrants’ situation in the country is one out of the several polemics of this dispute. This issue, however, is not only French. The economical crisis Europe is dealing with during the last years is intensifying the xenophobic populism and legal actions against immigration. In the first moment we may think that this reaction is only against foreign people who are actually living in these countries, but as we can see in the last years, it also affects tourism. Brazil, recently, had to take some legal actions against Spanish tourists due to the problems Brazilian were constantly having in Spanish airports.

Comparisons are not always good, but in this case it is worth to be mentioned. In the 1930’s, Europe was also facing a big economical crisis after the First World War and the xenophobic reaction against Jews gained strength and was managed not only by the social sphere, but also for political reasons. Nowadays, the most victims of the European xenophobic discourse are the Islams and we can see it by the recent law Sarkozy implemented forbidding the use of the veil the Muslins women wear in their head under the excuse that France owns a secular civil government. In Spain, it is said that immigration is the responsible for the insufficient welfare state because it abuses healthcare. These arguments, although they are not true, give simple answers to more complex problems and population in general end up believing and supporting this racist discourse. 

Now France is through its presidential elections, Sarkozy and Hollande have opposite views about the same issue. Whilst the first candidate proposes a language proficiency test to all the ones who want to enter into the country, which would considerably limit the number of immigrants, Hollande wants to regularize everybody who is illegal and also permit the right to vote for immigrants in municipal elections. It’s very surprising the fact that Hollande, the socialist candidate, is the favorite for the elections, but we cannot forget that Le Pen, the right extremist who lost the round one and had a very xenophobic discourse, had almost 20% of the French votes, which is very significant amount. 

Although tourism is esteemed because it brings money to the place where it happens, the fact that many tourists end up staying in the continent and not going back is being responsible for making tourism also a victim of this xenophobic wave that’s rising through Europe. The Spanish airports’ problem Brazilians were facing is a good example: they fear the possibility that who is entering into the continent as tourists become illegal immigrants. That´s what I think the tendency of tourism in Europe is going to face in the next years if the European crisis increases. 

If the socialist candidate in France wins the elections, however, a big change may happen. One unique country making easier the immigration in a continent where their neighbors are each time closing its doors for foreign people, will become an open door not only for tourism in Europe, but also to illegal immigrants.

In the end, I think Europe will always enchant people and will always be one of the favorite destinations for tourists. Depending on the moment the continent is facing, its entrance is easier or not. In Greece, which we know is the most problematic country in the European crisis, is being helped by tourism, which is rarefying the crisis effects and the prices, because of the crisis, decrease, attracting more tourists. As we can see, tourism in Europe has both sides: when it is needed, the entrance gets easier and cheaper, but when it is affected by political discourse and xenophobic fears, it becomes a delicate issue, mixing illegal immigrants and tourists in the same speech.

How would tourism be possible in no-frontiered-countries?

There is an utopic idea that no-frontiered-countries would make a better world. John Lennon defended this idea in one of his most famous songs, Imagine in 1971: “Imagine there's no countries / It isn't hard to do / Nothing to kill or die for / And no religion too / Imagine all the people / Living life in peace”. Searching on the internet about the same topic, I found something that also dragged my attention and, although it was written in 2009, the idea we see in John Lennon’s song is the same and it was written by someone who lives backpacking around the world and constantly writes about his adventures in his blog: “A no-frontiered-world is about a world without prejudice, racism or any kind of discrimination, selfless, unambitious and without betraying; it is a world where we can be free to be in any part of the world and say: This is my home! Where the love reigns between people, respecting and learning how to deal with the differences, not impose or commanding anything to anybody. Without colonies, no oppression, where mankind become consciousness that is needed to give hands and to be united; united against famine, misery, corruption, greed and any kind of autoritarism, be it political, religious or social.” Although I have talked about two extracts from the 20th and 21st centuries, respectively, a no-frontiered-world concept is not so modern. Karl Marx in the 19ths idealized a world exactly like this in the communist regime and since the ancient Greek times, the stoical philosophers used to identify themselves as world’s citizens. 


In other words, a no-frontiered-world is something that men have always dreamed about. People who really defend this idea, since the ancient times until nowadays, tend to think that people would help and love each other, just like John Lennon says in his song “Nothing to kill or die for”; the defenders also think that the human differences, both cultural and physical, would not matter so much as we can see also in the song: “and no religion too” or, as we can see from the extract I took from the backpacker's blog: "A no-frontiered-world is about a world without prejudice, racism or any kind of discrimination, selfless, unambitious and without betraying". Particularly, this is a too utopist view of the world and also oversimplified. To understand better this issue, I decided to take some examples of our daily lives. Although there are no, geographically speaking, frontiers inside the city of São Paulo, it does not mean that people help and love each other; and, during election times, the candidates, who were born and have lived their whole lives in the same city they intend to command, are not very concerned about more than half of people who also live there and are going to elect them. What I mean is that "frontiers" can have many meanings, not only land divisions. Besides political frontiers, which is the first thing that comes to our mind when we hear about this issue, there are many social, economical and cultural frontiers, put differently, social frontiers, which correspond to barriers much more complex to overcome to achieve this so much idealized equality John Lennon says in his song.


Considering the theme of the article, I don't think that no-frontiers-countries would be possible. The contest between natural resources has always been the main reason for wars and dispute between countries and nations. Especially at the present time, in which the petroleum and the main energy natural resources are each time more needed and each day more scarce. In addition to that, more impossible than no-frontiers-countries, is a no-frontiered-world. As told before, the social frontiers are obstacles much more difficult to overcome. Just to give some more examples, in Europe ethical problems still are reasons for violent attacks against civilians, although when we talk about ethical problems, we first think about Africa. In Ireland, superficially speaking, the main problem are between Catholics and protestants; in Spain, the Basques still look for their autonomy; in Eastern Europe, there are the nationalists disputes between different people in the Balkans and Kosovo. We can say many other examples of disputes that go much beyond merely land divisions. In the United States, although black and white people live in the same country and try to show the world they don't live in a segregational society anymore, there are, until in these times, black neighborhoods, black songs, black clubs, as well as black universities. 


Despite the several other examples that could be mentioned, I believe that the idea that "frontiers" goes much beyond land divisions is clear and, because of that, the utopic conception that no-frontiers-countries would be a better place to live is senseless. The modern examples given and many others that were not mentioned, proves that even inside land frontiers, there are cultural, social and economical barriers that segregate people. That's why I believe that, even if something happened and a no-frontiered-countries reality began, the tourism would not change so much. The bureaucracy would be easier, because passports and visas wouldn't be required. Apart from that, the differences between people according to the place they live wouldn't change and it would continuously drag our attention and curiosity. And, even if passports and visas would not be required anymore, we wouldn't "be free to be in any part of the world and say: This is my home!", because human beings feel connected to place where they were born and to the societies where they grew up. 


Tourism, in no-frontiered-countries, would still exist. The exotic aspects that make us feel interested in knowing different places, foods, habits, cultures and others, wouldn't disappear, because they are the social aspects told before that cannot be overcome with merely no-land-divisions. In fact, the only thing that would change, would be the facilities in terms of documentation and prices, because the less bureaucracy we have to run after the less money we have to spend on that, what would make tourism much more enjoyable.

domingo, 13 de maio de 2012

Mulher é fonte de vida

Atualmente é muito intenso o debate sobre a legalização do aborto. Já falei sobre isso aqui no blog: eu acho que a mulher tem um dom, que é o de gerar e poder carregar dentro de si outra vida. Este fim de semana, como ocasião dos dias das mães, andei a refletir mais sobre o assunto. Só um parêntese: na época de comemoração do dia das mães, um momento de aquecimento do comércio e da economia, ninguém fala sobre o assunto!

No sábado, fui com a minha mãe à Igreja onde ela frequenta porque aconteceu um evento de homenagem às mães que teria como encerramento um chá da tarde. Lá, a mensagem que passaram, entre algumas outras, é que mulher é fonte de vida. E eu concordo muito com isso e acho que, por mais que eu tenha usado diferentes palavras no meu texto de 2009, esta foi uma das ideias que eu quis passar.

Na quarta-feira passada na aula de Teoria da História, o professor usou um exemplo muito bom para explicar a concepção de História para o pensador Michelet. Se hoje em dia ensina-se nas escolas religião, ela é tratada analiticamente. Ou seja, ensina-se às crianças as características da religião hinduísta, judaica, católica, espírita... Onde elas são predominantes, quais são seus livros sagrados, sua filosofia, etc. Em outras palavras, as religiões são tratadas como coisas, nas palavras do professor. Perdeu-se o sentimento que a religião procura passar para seus fiéis para ganhar o espaço no campo de análise. Deixou de ser ensino religioso para ser ensino de sociologia da religião. Essa “coisificação” é o que tanto combatia Michelet em relação ao ensino da história, que para ele deveria ser aquela área que inspiraria paixão e fé aos alunos.

Tudo isso para dizer que eu acho que ultimamente as mulheres, que tanto têm lutado por um espaço maior e igual aos homens na sociedade, têm, na verdade, sido tratadas como coisas. O argumento de escolha com o que fazer com o seu corpo, continuo com a mesma opinião, é não-pensado. Nós já temos esse poder com os vários métodos anticoncepcionais que existem aos nossos alcances. Só para deixar claro, estou me referindo ao debate sobre a legalização do aborto, mas acho que em alguns casos, se bem analisados, ele pode até ser válido e necessário.

A mulher tem perdido espaço no campo do sentimento para tratar de sua capacidade como fonte de vida, simplesmente como uma máquina que pode ou não carregar e gerir um feto em seu ventre.  Um dia, quem sabe, retornaremos aos tempos antigos em que as mulheres eram valorizadas justamente por essa capacidade que lhes é tão preciosa e única e, pelo mesmo motivo, a divindade carregava em si a simbologia da fertilidade e a aparência feminina.