domingo, 17 de julho de 2011

Regrinhas para notas de rodapé

Eu estou postando isso aqui porque precisei, achei esse site e achei muito útil! Assim, fica aqui para próximas consultas e para quem mais precisar.

Uso do: idem, ibidem, apud, op. cit., et seq., loc. cit., passim, em nota de rodapé

1 Para fazer referência, subseqüente, de um mesmo autor, usa-se idem.
Ex.:
1 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: direito das sucessões. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, v. 6, p. 15.
2 idem.

2 Para fazer referência, subseqüente, de um mesmo autor, em página diferente, usa-se ibidem.
Ex.:
1 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: direito das sucessões. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, v. 6, p. 15.
2 ibidem, p. 25.

3 Para referenciar um mesmo autor, após terem sido referenciados outros autores, usa-se op. cit.
Ex.:
1 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: direito das sucessões. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, v. 6, p. 15-17.
2 PAPALEO, Celso Cezar. Aborto e contracepção: atualidade e complexidade da questão. Rio de Janeiro: Renovar, 1993, p. 278.
3 CHAVES, Antônio. Direito à vida e ao próprio corpo: intersexualidade, transexualidade, transplantes. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994, p. 300.
4 MONTEIRO, Washington de Barros, op. cit., p. 36 et seq.
5 PAPALEO, Celso Cezar, op. cit., loc. cit.
6 MOTA, Sílvia. Testemunhas de Jeová e as transfusões de sangue: tradução ético-jurídica. In: GUERRA, Arthur Magno Silva e (Coord.). Biodireito e bioética: uma introdução crítica. Rio de Janeiro: América Jurídica, 2005, passim.

Explicação do item 3***
loc. cit. (locus citatum) = local citado. No exemplo do item 5, significa que a obra do autor Celso Cezar Papaleo foi anteriormente citada (no item 2), na mesma página (p. 278).
et seq. (et sequentia) = e seguintes. No exemplo do item 4, significa que a obra do autor Washington de Barros Monteiro foi anteriormente citada (item 1), desta vez às páginas 36 e seguintes.
passim = aqui e acolá. No exemplo do item 6, significa que a obra de Sílvia Mota foi citada em diferentes partes, aqui e acolá.

4 Para referenciar um autor (a cuja obra o pesquisador NÃO teve acesso) que está indicado num livro ao qual o pesquisador TEVE acesso, usa-se apud.
Ex.:
1 SUTTER, Matilde Josefina apud CHAVES, Antônio. Direito à vida e ao próprio corpo: intersexualidade, transexualidade, transplantes. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994, p. 136.
2 BUTERA apud MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: direito das sucessões. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, v. 6, p. 80.
3 MAXIMILIANO, Carlos apud MONTEIRO, Washington de Barros, ibidem, p. 184.
4 ORGAZ, Alfredo, apud CHAVES, Antônio, op. cit., p. 86.

Explicação do item 4***
a) na referência n. 1 o pesquisador NÃO TEVE ACESSO à obra de Matilde Josefina Sutter, que foi CITADA por Antônio Chaves em seu livro Direito à vida e ao próprio corpo: intersexualidade, transexualidade, transplantes, ao qual o pesquisador TEVE ACESSO;
b) na referência n. 2 o pesquisador NÃO TEVE ACESSO à obra de Butera, que foi citado por Washington de Barros Monteiro em seu Curso de direito civil: direito das sucessões, ao qual o pesquisador TEVE ACESSO;
c) na referência n. 3, o pesquisador NÃO TEVE ACESSO à obra de Carlos Maximiliano, que foi CITADO por Washington de Barros Monteiro na obra JÁ REFERIDA no item anterior, em página diferente;
d) na referência n. 4, o pesquisador NÃO TEVE ACESSO à obra de Alfredo Orgaz, que foi CITADO por Antônio Chaves na obra JÁ REFERIDA, no item 1, em página diferente.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O passado é sempre melhor que o presente?

Dando continuidade a minha vida cultural eu fui ao Shopping Eldorado para passear. Se eu tivesse dinheiro, também teria dado continuidade ao meu lado burguês e consumista. O shopping é bastante bonito e também é novidade para mim. Fui a passeio de namorado e ele me levou ao cinema. Assistimos "Meia-noite em Paris" e foi mais ou menos uma surpresinha porque não sabíamos absolutamente nada sobre ele, só uma indicação de uma amiga minha. Enfim, o filme é surpreendente. Ele conta a história de um escritor, protagonizado por Owen Wilson, que pensa que se vivesse nos anos 20 em Paris seria mais feliz. Ele poderia levar aquela vida boêmia ao lado de grandes intelectuais como Ernest Hemingway, Salvador Dalí, Luis Buñuel, Scott Fitzgerald, etc. Até que, sem querer, ele viaja no tempo e vai parar onde ele tanto queria e acaba conhecendo todas estas figuras e tantas outras. Para sua surpresa, no entanto, ele conhece neste tempo paralelo uma garota belíssima que diz que os anos 20 são chatos, deprimentes e que adoraria ter vivido na Belle Èpoque. Uma noite, caminhando com ela por Paris, os dois viajam para Paris de 1890 e conhecem outros intelectuais da época, que também reclamam do tempo em que vivem e dizem que a verdadeira Golden Age foi a Renascença!

Durante este semestre um dos cursos que eu acompanhei foi História Moderna I. Por mais que tivéssemos percorridos temas diferentes referentes ao período, houve um que nos seguiu o curso inteiro e toda a documentação com a qual trabalhamos. Os homens do Renascimento buscavam a inspiração nos clássicos, o período medieval havia sido um tempo de obscurantismo que deformou os antigos e seus ensinamentos. Nunca houve uma cópia da Idade Antiga, mas este pulo de quase mil anos ao passado lhes dava uma concepção de tempo particular a eles, ao contrário da crença medieval de que o tempo era imutável. Eles se viam como agentes capazes de transformação. Buscava-se nos clássicos ensinamentos que lhes ajudassem a transformar a realidade presente em que viviam em algo melhor. Suas maiores referências são Xenofonte, Cícero, Platão e outros filósofos da Antiguidade.

Na nossa realidade, é comum vermos os desenhos e as brincadeiras das crianças de hoje e pensarmos que a nossa infância foi muito melhor. Por sua vez, nossos pais e avós nos dizem a mesma coisa! Outro erro comum é a ilusão de que "antigamente" não havia violência. Para o senso comum a violência é algo atual, como se nos anos 60 e 70 não houvesse uma violência escondida por quatro paredes; como se nos anos 40 também não houvesse violência dentro dos campos de concentração; como se na passagem do século XIX para o XX o cangaço não resolvia seus conflitos políticos por meio da força; ou então, voltando um pouco mais para trás, as famílias reais do Antigo Regime não se matavam por questão de poder. Definitivamente, matar pai, mãe e irmão não é um fenômeno atual. Poderia-se voltar muito mais atrás quando não existia direitos humanos ou mídia para divulgar a violência como nos faz o Datena; a violência no Coliseu era apreciada e os gladiadores aplaudidos. Ainda na Roma Antiga, quando os maridos chegavam depois de muito tempo em guerra e não reconheciam seus filhos, a criança era deixada dentro de um vaso no telhado da casa até morrer e, se a criança já era maiorzinha e o choro fosse incomodar, ela era deixada no meio da floresta. Por isso que não tem sentido nenhum dizer que antes as pessoas eram mais felizes porque a realidade não era tão violenta como é agora! O mundo sempre foi cruel, mas a violência se apresenta de maneiras diferentes de acordo com o tempo.

O passado, no entanto, para os homens de todas as épocas parece ser melhor. Está no nosso imaginário idealizado de que nossa realidade é ruim e que seríamos mais felizes se voltássemos no tempo ou que éramos mais felizes quando crianças. Talvez porque queremos lembrar só das coisas boas e esquecemos dos aspectos negativos que percorreram estas épocas. Estuda-se e admira-se épocas passadas porque a história é, entre outras coisas, uma fonte de curiosidades, por isso ela parece ser tão interessante. Os homens discutindo política nas Ágoras, os gladiadores lutando contra tigres, os francesas fazendo a revolução... Tudo parece ser muito belo enquanto se limita em imagens e palavras em livros.
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Eu mandei um email comentando sobre a minha ida ao cinema e observações que eu fiz sobre o filme para a minha professora de História Moderna. Achei tão linda a resposta dela que resolvi publicá-la aqui para eu não perdê-la na minha caixa de email!

Fico feliz por compartilhares essas especulações. Realmente, foi sendo
construída, ao longo dos séculos, principalmente após o homem ter
descoberto que costumes e hábitos são produtos históricos, uma certa
nostalgia em relação ao passado. O ontem aparece como modelo positivo
e melhor se comparado com o presente vivido. A questão central está no
fato de o "presente" ser percebido negativamente porque se está a
viver, a sentir na pela a pressão do estar vivo e na tensão das
decisões momentâneas. Se foi na antiguidade o início de tais
especulações, será na Época Moderna que elas terão aprofundamento
filosófico e, por sua vez, antropológicos e sociológicos. Vês como a
Época Moderna é fundamental? Nela se encontram todos os elementos da
argamassa que solidificou o edifício da História Contemporânea.