segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Solidão urbana

Acho que finalmente eu terei um pouquinho de paz. Por mais que as aulas já tivessem acabado, eu estava (estou, aliás) num ritmo alucinante por causa do estágio, disso, daquilo. Não consegui parar um minuto ainda, mas acho que como o Natal já está chegando, não tem jeito, tenho que tomar um fôlego!

Aconteceu algo comigo que, apesar de não fazer muito tempo parece que foi há meses, me marcou bastante e eu queria dividir com os poucos leitores do blog.

Era uma segunda-feira. Saímos eu e meu namorado as 6h15 da manhã mais ou menos de casa, preparados para fazer o caminho habitual para a USP e chegar lá por volta das 9h00. No entanto, acabamos por fazer um caminho diferente para tentar chegar mais cedo e não levar 2h45 de viagem.

Quando descemos do trem, íamos pegar o metrô em uma estação nova, que recentemente (em setembro) foi inaugurada. Isso era por volta das 7h00 e, adivinha (!): a estação estava fechada, pois seu horário de funcionamento é das 9h as 17h. Até agora me pergunto como que, numa cidade que parece um formigueiro, que sofre com trânsito e cujos trabalhadores têm que pegar trilhares de transportes públicos e leva horas para chegar em seus respectivos trabalhos, mantém uma estação de metrô em horário de teste permanente.

Enfim, a outra opção disponível era, na própria estação, pegar uma van que nos levava a outra estação de metrô. De novo: por que isso, meu deus???

A fila para entrar na van, é óbvio, estava fazendo zig zag. Mas foi isso que estragou meu dia. No meio da fila, uma mulher, morena, sozinha, de cara sofrida, caiu. Desmaiou de repente. Todo mundo olhou com o barulho. Mas ela ficou lá. Não havia nenhum médico ou enfermeira para acudi-la. Ninguém da fila deu importância. A fila continuou zigzagueando em volta dela. Apenas um rapaz, estúpido, provavelmente bastante desocupado, ficou em pé observando-a de modo esquisito.

Mais tarde, no mesmo dia, ouvi duas pessoas conversando sobre um filme brasileiro dos anos 70, mal feito, mas que retratava bem a questão da solidão urbana.

Solidão urbana.

Parece que foi isso que eu vi ali. Ninguém ajudou a mulher. Todos continuaram andando preocupados com os seus compromissos e horários a serem cumpridos. Eu também.

O silêncio reinou entre eu e meu namorado. Continuamos nosso caminho. Além de um ônibus e o trem que já tínhamos pegado, pegamos mais a van, dois metrôs e um ônibus. Para piorar, quando fomos pegar o ônibus, nos deram (duas vezes!!) a informação errada e ficamos meia hora esperando no ponto errado.

No entanto, mesmo levando 2h45 para chegar na USP, mesmo trocando seis vezes de transporte público, o que mais me marcou foi a mulher caída no chão; que foi se recuperando sozinha. Aos poucos foi passando a mão na própria cabeça, foi sentando... E quando parti estava sentada no chão. Foi quando eu pude ver seu rosto.

Estamos todos são sozinhos assim? Fico pensando se eu deveria ter ido ajudá-la. Talvez tê-la colocado numa posição mais confortável, ereta no chão com os pés para cima, procurado no celular dela algum telefone de algum conhecido para ligar... Mas não. Eu não teria feito nada disso. Assim como todas aquelas tantas pessoas que estavam na fila.

Espero que seja um fenômeno de época toda essa frieza.
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Não fiz a lista dos 7 filmes que mais marcaram a minha vida como havia proposto os Blogs de Quinta, porque acho que nenhum filme fez isso. Ao contrário dos livros, eu vejo o filme, gosto ou não, e depois esqueço. Existe um o outro que eu lembro com mais admiração, mas o difícil é lembrar dele! Talvez porque o filme não é como o livro, que a gente pega, segura, ás vezes beija e mancha de lágrimas para depois colocar na estante e ver constantemente.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Recapitulando...

Esse semestre foi uma droga. Apesar de eu gostar muito do estágio, ele toma um tempo muito precioso de mim e, pelo fato de eu ter que ir e voltar da USP em horário de pico, eu perco mais tempo ainda no trânsito!

Como consequência, tive que abandonar uma matéria e fazer apenas 3! Três matérias é muito pouco, mas não teve outro jeito. Minhas notas também caíram. E isso me deixa muito triste. Saudades da época do colégio que meu ego ficava lá em cima enquanto eu era uma das melhores alunas. Fechava minhas médias antes mesmo do final do ano letivo e só tirava notas entre 8,5 e 10.

Na faculdade, porém, parece que quanto mais eu estudo, mais eu não saio do lugar. Pelo contrário, parece que estudar é quase em vão, é apenas para não reprovar. Como foi possível eu ter ido tão mal, ter tirado uma nota tão ruim, sendo que eu me esforcei tanto?

Enfim, é difícil, mas eu me esforço para não desanimar. Até para escrever eu estou com muita preguiça. Seria muito legal falar das coisas que aprendi este semestre em História Medieval e até em História Antiga, mas que preguiçaaa... O tempo que estou em casa se tornou sagrado para descansar ou... sempre tirar o atraso das minhas leituras acadêmicas.

Outro momento de epifania foi perceber que nunca mais será possível ter férias de pleno ócio. Ai meu deus, penso como os filósofos gregos que valorizam o ócio como um tempo importante àqueles incumbidos de pensar. Se não pensamos, é porque não temos tempo para isso. Sempre tem algo a fazer!

Mas de qualquer maneira, recentemente aconteceu a feira anual de livros da USP que ocorre sempre no prédio de História e Geografia. Foram 115 editoras com no mínimo 50% de desconto em todos os seus livros. Me deleitei. Gastei mais do que podia, mas estou trabalhando, mereço fazer um agrado a mim mesma. Infelizmente a banca da Cia das Letras tinha uma fila de mais de 1 hora só para poder olhar os livros, então não pude ir à essa banca, mas me deleitei nas outras. rs

Agora, the most problem of all: lê-los.

Ainda não acabei o semestre. Das três disciplinas, faltam duas, mas está no fim. Segunda-feira que vem acaba este semestre que há muito já devia ter acabado.

Pretendo, porém, retomar meus posts. É ruim ficar muito tempo sem escrever, porque depois sinto que quando eu quero escrever, a escrita não sai facilmente. Tem que ser aos trancos e barrancos.

Quem sabe eu não consiga ler os livros que comprei e volto a escrever as resenhas deles aqui....

Que post inútil, raramente escrevo tanta abobrinha... É a falta de prática!