terça-feira, 24 de agosto de 2010

Infância - Graciliano Ramos

No colégio, quando a professora de literatura fez uma breve definição das obras de Graciliano Ramos, ela disse que "em uma página, temos informações demais", pois ele era um autor que sabia ser bastante conciso, direto e dizer muito com poucas palavas. Isso me impressionou, e a partir disso sabia que eu e ele nos daríamos muito bem. Minha primeiraexperiência foi com Vidas Secas, amei, me apaixonei, me encantei. Depois, fui ler Memórias de um Cárcere, mas por causa da burocracia da biblioteca, só consegui ler 80 páginas e pretendo retomar a leitura. Mas a última obra que li de Graciliano foi Infância.

Foi uma experiência bacana e um pouco diferente das leituras comuns. Aquela idealização infantil, de que quando a gente era criança era bem melhor, isso não existe no livro de Graciliano. Por mais que seja um livro bastante recheado, é difícil dizer algo sobre ele. A leitura é calma, fluída, mas há momentos em que somos tomados por uma agonia imensa, como quando seu pai não encontra a fivela do seu cinto.

O autor também fala sobre a sua dificuldade em aprender a ler e como nasceu o seu amor pelos livros. Aos 9/10 anos, já tinha devorado a biblioteca de um de seus conhecidos, lendo grandes clássicos da literatura internacional.

Mas a melhor parte é o final. É claro que não contarei spoiler, mas durante a leitura do livro, nos perguntamos quando e como vai acabar essa fase infantil do autor, e quando isso acontece, sua visão e percepção de mundo muda também.

É um livro gostoso, não há emoção, suspense ou trama. Cada capítulo conta sobre uma determinada pessoa ou um momento que lhe marcou. É possível também entender um pouco das relações sociais citadinas do nordeste brasileiro. A profissão de seu pai, um mercador, os obriga a mudar e a diferença entre campo/cidade também é bastante visível.

A conclusão que cheguei ao virar a última página foi a de que uma infância nem sempre é feliz como é relatado no poema de Casimiro de Abreu

"Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!",

mas sim doída, traumatizante, e que, na verdade, só esconde um mundo cruel, que por sebrevivência só podemos compreendê-lo depois; para que na idade adulta, lembremos de um momento melhor, mesmo que ele nunca tenha sido bom.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Comunistas...

Não estou generalizando, nem sou contra a esquerda, muito menos conservadora... Qualquer coisa que a gente fala contra comunista, já é motivo para sermos tachados de fascistas, mas na faculdade estou rodeada de gente tão fraca de mente que não consegue enxergar a tamanha hipocrisia que comete ao se chamar de comunista. Por favor gente, honrem mais o nome de Marx, não digam seu nome em vão! Deixem de ser comunistas de boutique e comunistas consumistas! Eu sei que é difícil, mas Nike, Sony Ericson, carros da GM, Ambev, tráfico de drogas, Coca Cola, falta de higiene, e outras coisas... Tudo isso é um mau começo para defender uma ideologia tão complexa! Greves anuais na universidade não tornarão um mundo mais igual! Pronto, desabafei!

Comunistas de Boutique LTDA.

e a que eu mais gostei


Comunidade dedicada aos socialistas de BMW, comunistas devoradores de Big-Mac's, esquerdistas de botox, comunas de shopping-center, patricinhas anti-capitalistas, marxistas de butique, revolucionários de limusine, comunistinhas chiques, stalinistas playboys, maoistas empresários, castristas milionários, leninistas de banda-larga e trotskistas que especulam na bolsa de valores.

Vamos acabar de vez com essa opressão imperialista: A PARTIR DE HOJE, TODO COMUNISTA TEM O DIREITO DE SE SENTIR E SE COMPORTAR COMO UM BURGUÊS. ABAIXO À ETIQUETA SOCIALISTA!!!

Afinal, ninguém é de ferro em seguir o comunismo ao pé da letra. Se até Che Guevara tomava Coca-Cola e Pol Pot usava terno, porque os comunas não podem usufruir produtos capitalistas?

ABAIXO À ETIQUETA MARXISTA, VIVA A HIPOCRISIA!!!

No fundo, todo comunista é "fashion" e come caviar.