quinta-feira, 17 de junho de 2010

As férias anuais de três meses

Ano passado, no meu primeiro ano de faculdade, acompanhei a greve que aconteceu na USP aqui no meu blog. Foi um evento que me deixou muitíssimo chateada. A greve começou com os funcionários, que reivindicavam aumento salarial e a volta do funcionário Brandão que foi despedido sob a acusação, entre outras coisas, de assédio sexual. Na versão dos funcionários, o pobre Brandão era perseguido político (!?) dentro da universidade.

Do começo ao meio do semestre os alunos também estavam propensos a declarar greve e fizeram inúmeras paralisações que prejudicaram muitas aulas. Eles apoiavam a volta do Brandão, (afinal, se não ele, quem iria consertar os aparelhos de ar-condicionado?) e eram também contra a UNIVESP. Não vou expor aqui minha posição sobre o assunto porque não é o objetivo deste meu post, mas digo que desde o início sempre me coloquei contra a posição do Movimento Estudantil.

Resultado: sem biblioteca, sem Restaurante Universitário ( bandejão), sem nem ao menos a Sessão de Alunos para carimbar a frequência do ônibus para o pagamento de meia passagem. Eu cheguei a uma conclusão que esse ano só se confirmou: a USP não serve para gente pobre, só estudante rico e não é culpa da Universidade, mas sim das greves que privam os alunos mais carentes de qualquer benefício. É impossível almoçar e jantar na região do Butantã a um preço acessível ou ter acesso à livros que não tem em nenhum outro lugar.

Depois de um tempo, a reitoria chamou a PM para evitar que houvesse a invasão do prédio da reitoria. Sabe, os reivindicalistas da USP - tanto alunos como funcionários - têm um meio um tanto violento de resolver as coisas. Um jeitinho meio vandalizado, se você me entende. Mas, com isso, os alunos entraram definitivamente de greve e os professores também. Só uma ressalva: falar em "professores" e "alunos" é meio genérico, é melhor dizer: "alunos e professores da FFLCH" (por meios autoritários, é verdade, mas entraram), porque o resto da Universidade funcionou normalmente sem nenhum problema.

Esse ano, se não fosse possível ficar pior... Ficou. Os professores da USP - que recebem menos do que receberiam lá fora, e isso é fato (os melhores professores a gente perde ou para outros ofícios ou para outras universidade) - receberam um aumento no salário. Os funcionários, que já recebem muito mais que os demais funcionários lá de fora e ainda fazem uso de inúmeros benefícios da universidade juntamente com os estudantes, antes mesmo da reunião marcada para a negociação do aumento do salário deles, entraram de greve novamente.

Gente, uma breve retrospectiva de 2006 para cá.
2006 - Greve da Copa que acabou exatamente dois dias depois do fim da Copa
2007 - Greve contra as sanções do Serra - na minha opinião a única greve de motivos legítimos, apesar dos meios não tão legítimos assim
2008 - ok
2009 - Greve que eu comentei acima
2010 - Greve de novo!!
Não é a toa que dizem que os funcionários da USP têm três meses de férias por ano, sendo dois deles por greve.

Mas esse ano os atos de violência e vandalismo estão passando do limite. No início do ano tudo começou com a invasão da COSEAS. A COSEAS é um "setor" da USP responsável pelo auxílio dos estudantes: desde as bolsas moradia, os bandejões até os passe dos ônibus. Revoltados pela falta de lugar no CRUSP (Conjunto Residencial da USP) - que sofre de inúmeras irregularidades, mas isso não vem ao caso - alguns alunos invadiram o prédio do COSEAS, onde tinha guardado todos os documentos dos alunos que pediram auxílio, inclusive os meus. Mexeram nos documentos, tiveram acesso a informações sigilosas. Como eu sei disso? Ligaram aqui na minha casa! Bom, ainda estão lá, devolveram parte dos documentos jogados em sacolas - um dos motivos pelos quais ainda não saíram as bolsas de auxílio para os estudantes - e parte dos computadores e impressoras.

Depois disso os funcionários entraram em greve. Fizeram piquete no bandejão terceirizado para ele não abrir e, recentemente, invadiram o prédio da reitoria. Quebraram tudo e estão acampando lá. Mas no jogo do Brasil, improvisaram um telão para todos assistirem o jogo e, como é de praxe já, fizeram o churrasquinho deles.

Diante dessa palhaçada de greve todo ano, o reitor, diante de meios legais, não realizou o pagamento dos dias parados para cerca de 1600 funcionários. E então, para protestar, os funcionários nesta manhã fizeram piquete na entrada principal da universidade, impedindo estudantes e outros funcionários de entrar. Isso complicou mais ainda o trânsito e fez muitos alunos perderem provas e trabalhos.

A USP as vezes parece estar abandonada à própria sorte. Dizem as más línguas que hoje o Brandão trabalha para o sindicato recebendo 3000 reais por mês. Se isso é verdade ou não, eu não sei, mas lá da Universidade ele não sai e até hoje, mesmo não sendo mais funcionário, atua como líder sindical - dos funcionários.

Até hoje eu me mantive o mais longe que pude dessa falta de vergonha que acontece lá dentro para não desanimar, porque fora tudo isso, a faculdade me encanta. O SINTUSP mancha a legitimidade das greves, cospe em sindicatos sérios e faz de um dos maiores direitos trabalhistas brincadeira de gente desocupada. Antes que alguém pense que sou contra o movimento grevista e os sindicatos, digo que sou totalmente a favor. Meu pai já teve muitos benefícios graças ao sindicato. Mas o Sintusp já deixou de ser um sindicato para ser uma organização criminosa. Nas fotos da invasão da reitoria, funcionários e alunos que apoiam a causa dos funcionários tamparam o rosto para não serem identificados!! Para mim assumiram a própria criminalidade com esse gesto.

3 comentários:

Giovana disse...

Isso porque eu esqueci de comentar a invasão a um dos bandeijões e o ROUBO dos alimentos de lá de dentro. Há gente que diz que tinha até carro saindo de lá com comida no porta-malas.

Don Allan disse...

Voce sintetizou praticamente tudo o que penso deste absurdo cometidos nos ultimos tempos...meu pai é sindicalista, mas o que o sintusp faz vai além da sindicalismo...eles simplesmente abusam DEMAAIS !

O esquema é trabalhar como funcionario da usp...ganhar bem e fzer pouco =D

CA Ribeiro Neto disse...

Realmente, parece que só se interessa em fazer greve, quem realmente não tem boas intenções.

Lembro no tempo em que eu estudava no CEFET daqui, que toda greve era autorizada com o mínimo de votos necessários, porque quem não apoiava não ia, e então, deixava de valer o gosto da maioria.

Não passei por passagens sérias como essa, mas deve ser ruim mesmo. E universidade pública parece ser para rico mesmo...

beijos