terça-feira, 23 de março de 2010

O trabalho escravo no Brasil Colonial

Algumas perguntas rodeiam a escravidão no Brasil. Por que foi necessária a escravidão? Por que africana? E que sociedade era esta (só porque tem escravos, não significa que é uma sociedade escravista)? São algumas das perguntas que nos ajudam a entender esse sistema de trabalho que perdurou por três séculos em nosso país.

No Antigo Antigo Sistema colonial, a colônia se colocava na retaguarda da metrópole, que possuia um exclusivismo gerador de super lucros. A subordinação dos senhores de engenho, reféns da esfera comercial, permitia uma quase total transferência de renda da colônia para a metrópole. Por sua vez, o trabalho assalariado diminuiria os lucros pois aumentaria o custo de produção. Por isso que, de início, o trabalho escravo indígena era mais lucrativo.

Fugindo um pouco do aspecto totalmente mercantil do trabalho escravo, tem-se também o aspecto social. Os portugueses que vinham ao Brasil eram em sua maioria pertencentes da população mais pobre de Portugal, que vinham para cá almejando uma ascensão social. Oras, o trabalho manual era algo degradante e, por isso, possuir escravos para fugir do trabalho e ainda permitindo seu senhor enriquecer, era algo prestigioso. Essa característica do trabalho manual como algo vergonhoso se estendeu até o século XIX, que acompanhou a chegada dos trabalhadores imigrantes.

Pois bem, por que então não se continuou com o trabalho escravo indígena? O aprisionamento dos índios não participava das engrenagens do capital mercantil. Já o tráfico de escravos africanos, faz movimentar o capital, enriquecendo ainda mais a metrópole. O tráfico ainda era impulsionado, ou ajudado, pela natureza. As correntes marítimas do Atlântico entre a América do Sul e a África, facilitam o movimento dos navios de aprisionamento.


É por isso que Luiz Felipe de Alencastro diz que até os anos 30 do século XX, o Brasil não teve uma força de trabalho territorial, toda ela vinha de fora.

A questão social do Brasil Colônia é um outro caso. Não é por que tem escravo que a sociedade é escravista. A sociedade colonial brasileira é escravista porque a escravidão penetrou nas relações sociais de tal forma que as distinções sociais eram estabelecidas a partir desta. Se o indíviduo já foi, é, ou possui escravos. Pobre é aquele que não tem escravo e rico é aquele que tem. E quanto mais escravos, mais rico é. E não é só o trabalho por si só. Mesmo quem foi alforriado, fica as margens da sociedade por uma vez já ter sido escravo.

Em outras palavras, não há possibilidade de vida fora da escravidão.

Havia negros escravos, que possuíam escravos. Um escravo jovem, forte e artesão, por exemplo, que consegue juntar um dinheiro e comprar um escravo velho, doente, manco e sem dentes, já ascende socialmente entre os próprios escravos.

As marcas destes três séculos de escravidão, carregamos até hoje. Um exemplo que ouvi durante a aula é muito ilustrativa. No Brasil Colonial, a senhora que passeia pela rua com suas mucambas é se mostrar tão rica que pode ter tantos escravos ao ponto de ter escravas que não precisam fazer nada a não ser acompanhá-la. Hoje, em fins de semana, é possível ver em shoppings frequentados pela mais alta classe social, acompanhados de babás. Salvo alguns casos, isso só mostra o quanto são ricos para pagar uma babá num final de semana e ainda levá-la para passear ao shopping. Hoje em dia, ter um personal trainer, uma acessor, uma secretária, uma leva de empregados... Tudo isso é ascensão social. Ou, como os economistas falam - que, confesso, faz isso parecer mais bonito - o luxo de algumas pessoas, criam empregos para outras e distribuição de renda.
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Mudando de assunto, fiquei felícissima com o último comentário do post anterior, do Paulo Henrique. Que bom que eu faço ótimas indicações. Rs.

Mas realmente, tenho tido muita sorte nas minhas leituras ficcionais. Primeiro porque ganhei maravilhosos livros de presente e também porque tenho alguém que também sabe fazer ótimas recomendações - como no caso de Gomorra. Agora estou lendo Crime e Castigo de Dostoiévski. Comecei a ler com nenhum interesse e agora não penso e nem falo de outra coisa. Mesmo com sono consigo ler de dois a três capítulos.

6 comentários:

Don Allan disse...

É muito engraçado essa visão escravista...por que o negro tambem podia ter escravo, e caso tivesse oportunidade, teria muitos escravos e nao seria algo ``errado``. Por isso que a moralidade nao pode penetrar em estudos historicoss/sociais...


e claaaaro.....Gomorra wins !

Don Allan disse...

E de fato...o luxo gera trabalho e permite criar uma cadeia produtiva que nutre o pobre e distribui rende =D


haha, vi isso esses dias na aula =)

Marília Maia disse...

Oi! Tudo Bem... Eu sabia que a imagem do meu post iria causar uma certa estranheza! Foi intencional o que fiz... Pois o texto fala sobre a relação que tenho com a primeira idéia que vem a mente da maioria pessoas quando ver ou reconheci aquele simbolo... é! é isso ai mesmo que vc está pensando! rsrsr... Vamos fazer uma comparação com o que vc mais ama conhecer profundamente... a História, deve ser o teu amor incomensurável, a minha... Preciso falar? rsrsrsr... Vou deixar para os curiosos fervorosos adivinharem... é bem facilzinho...

Mas, quanto ao teu post... Vi como se fosse uma aula de História do Brasil. E, eu particularmente, amo essa parte da história, ainda mais quando se trata de Brasil. Claro que confesso, que ando meio enferrujada, pois há muito tempo não pego em um livro de história...
Mas, eu não sabia de umas coisas aqui que você colocou:

"Os portugueses que vinham ao Brasil eram em sua maioria pertencentes da população mais pobre de Portugal, que vinham para cá almejando uma ascensão social."

A população mais pobre de Portugual é que vinha para cá? Não sabia desse detalhe... Pensava, estava enganada, que para cá vinha a elite de Portugual. Tenho que ler mais, me informar mais...

e outra:

"Havia negros escravos, que possuíam escravos. Um escravo jovem, forte e artesão, por exemplo, que consegue juntar um dinheiro e comprar um escravo velho, doente, manco e sem dentes, já ascende socialmente entre os próprios escravos."

Escravos, ainda na condição de escravo, podendo coprar outro escravo... Informações como essa passaram despercebidos pelos meus olhos, quando era ainda aluna de secundário...

Mas, como estou vendo, como o blog é de uma estudante de história. Então tenho muito o que aprender ou relembrar de história... Isso é muito bom.

Teu texto é bom e informativo.
Valeu!

Beijão,
;)

CA Ribeiro Neto disse...

Gi, eu discordo da sua posição sobre o que faz da sociedade colonial escravista. Acho que ela é escravista fundamentalmente por ter escravos em número considerável. Se isso influiu nas relações sociais, então já é consequencia dessa sociedade escravista, e não causa!


Quanto a esse negócio do luxo criar emprego e distribuição de renda. Não estou discordando, mas deixa eu te falar de uma teoria que existe, que isso é ilusão. Dá para considerar distribuição de renda o tanto de dinheiro que um dono de hotel ganha com a ninharia que um vendedor de côco ganha na beira da praia do mesmo turista? A diferença de lucro é enorme, então, não dá pra considerar como distribuição de renda.

Quanto ao final, o nome dele é Paulo Henrique! E suas indicações são muito boas sim!

Giovana disse...

Opa!

Jà arrumei o nome dele... Obrigada! xD

leeh cristina disse...

obrigadaaa vc me ajudou no trabalho de historia


vlwww ,bjss