quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Os "sampaulistas"

São Paulo no período colonial foi uma grande especificidade. Não havia monocultaras de cana e alta produção de açucar, nem um intenso tráfico de escravos. As famosas casas grandes e senzalas que aprendemos na escola são característicos das capitanias do atual nordeste brasileiro. O único momento colonial paulista que vemos no ensino regular é sobre os bandeirantes. Apesar de esta visão estar mudando, ainda em São Paulo estudamos os bandeirantes pela sua importância no desbravamento do sertão, sendo encarados como heróis, sendo este o motivo por tantas rodovias terem os nomes destes personagens. Entre as mais famosas: Rodovia Fernão Dias, Anhanguera, Raposo Tavares e a Rodovia dos Bandeirantes.

Mas São Paulo tem algumas especificidades que valem a pena ser analisadas melhor. Especificidades estas que ligam a região do planalto paulista e o tão importante nordeste produtor de açucar.

Os tais bandeirantes, antes de assumirem propriamente este papel, eram conhecidos pelo resto da América Portuguesa por "sampaulistas" e eram encarados como uma gente estranha, que vivia no meio do mato. Isso acontecia porque os habitantes do planalto paulista "caçavam" indígenas e disso viviam além de um dificultoso comércio de produtos de subsistência realizado na serra entre o planalto e o litoral, que possuía alguns poucos engenhos de baixa produção de aguardente e rapadura.

Para terem sucesso em seus aprisionamentos de indígenas, os paulistas tiveram que aprender com os próprios índios. Despreparados, os portugueses eram facilmente mortos pelos índios que usavam métodos de guerrilha. Acostumados com o terreno e grandes conhecedores da fauna e da flora, sem serem vistos, se moviam e atiravam flechas em seus adversários por cima das árvores. Assim, os paulistas. adotando seus métodos, aprenderam com eles a se moverem e a lutarem na "selva" tropical.

Lá no Nordeste, quando o quilombo dos Palmares chegou num ponto de ameaça à soberania do Estado português e à ordem escravista e na capitania do Rio Grande (hoje Rio Grande do Norte) estoura uma rebelião indígena dos antigos aliados dos holandeses, chamar os "sampaulistas" foi uma alternativa que se mostrou mais eficiente para acabar com tal "desordem". Comprar esse serviço não era barato. Domingos Jorge Velho foi chamado para cuidar destes dois eventos em troca, é claro, de terras para virar um grande senhor de engenho. Este era, afinal, o sonho de todos os paulistas que viviam no meio do mato caçando índios: ser um grande senhor de engenho.

7 comentários:

Don Allan disse...

Vale ressaltar o contrabando que os paulistas faziam com o atual Peru, chamando de comércio perulento, já que era proibido pelo rei espanhol a comercialização com a américa espanhola pelo litoral brasileiro.

CA Ribeiro Neto disse...

Nunca tive uma aula sequer que tratasse os bandeirantes como heróis, apesar dos professores dizerem que aí no sul eram tratados sim.

Dizem que eles eram bem cruéis, como, convenhamos, quase todo mundo daquela época!

Bom texto, Gi, mas quero mais crônicas! hhehehe

A moça da flor disse...

Sempre que leio seus textos tenho mais vontade de conhecer história. Ainda mais história do Brasil, que na escola a gente só vê aquelas coisinhas mirradas de vinda da Coroa pro Brasil e essas coisas. Queria conhecer mais da história do povo brasileiro, de verdade. Acho muito estranho o jeito que a gente vê história, extremamente eurocêntrica. Eu já tinha a visão ambíngua dos bandeirantes. Não eram as criaturas mais doces, mas eles foram os responsáveis pela configuração territorial atual do Brasil. Aqui no Piauí, por exemplo, eles foram os grandes responsáveis pelo povoamento. Já que o movimento de povoamento não começou pelo litoral com muitos dos estados nordestinos. Acho que por isso não temos visão tão ruim dos bandeirantes.

Mehazael disse...

Eu não lembro exatamente como os bandeirantes eram tratados aqui no sul, mas com certeza não como heóris. Afinal, eram de São Paulo, e aqui no sul, só quem é do Sul (leia-se Rio Grande do Sul) é herói de verdade; Rio Grande do Sul, aliás, só é brasileiro por uma questão de proximidade geográfica: o pessoal queria mais que fosse a República Cisplatina mesmo (eu tive uma época bem separatista também). hehehe
Em geral, o governo central é visto daqui como "do mal", que os bravos heróis da Revoluação Farroupilha enfrentaram! E vamos deixar assim, porque a história não terminou muito bem pra nós. hauheahehe
Abraços!

Hermes disse...

É por essa e por outras que nunca irei ao Rio Grande do Sul, dhasudhudhsaudsa. A Gi deve lembrar o quanto isso de movimento separatista nos deu dor de cabeça em um certo fórum...

Como o Carlinhos disse, a gente não ver bandeirante como herói. E não é mesmo, assim como ao meu ver, ninguém é. Eles são responsáveis por coisas boas e ruins, e isso depende do ponto de vista, bom para quem e ruim para quem. Mas a história que fica elegendo heróis, posso fazer nada, nunca confiarei nessa. Obrigado pela aula, textos de histórias são iradez.

E ficou sem palavras por quê?eahueaheua

Thiago César disse...

hj sao os nordestinos q "desbravam" o sudeste, soh q por necessidade...

Paulo Henrique Passos disse...

Acho que os indígenas não os consideram heróis. Já para o Estado... É como o Hermes disse.

Desculpe pela enorme ausência aqui nos comentários.