quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Roteiro de leitura - M. Chauí

Nesta última semana li uma parte do maravilhoso e bastante difícul livro da Marilena Chauí. Acredito que todos conhecem essa grande filósofa, seja porque ouviu seu nome na televisão ou porque durante a escola o professor comentou sua obra. Sua linguagem é densa e pesada e por isso, realizei um roteiro de leitura de um determinado capítulo do livro: "Crítica e Ideologia". Este capítulo, que segue uma corrente materialista, é interessantíssimo e, caso eu fosse transcrever todas as idéias e conclusões tiradas, o post seria imenso. Para facilitar então, colocarei aqui apenas alguns dos quais achei mais interessante dos tópicos do roteiro. Em algumas partes, há trechos transcritos e em outras trechos de minha própria autoria.

O que se entende por sociedade propriamente histórica?
Sociedade propriamente histórica é aquela que, diferente da sociedade histórica, problematiza o tempo, sua história. Através da ideologia, faz uso de datas próprias, instituições próprias e precondições específicas para não estar no tempo, mas ser o tempo. Em outras palavras, toda a sociedade é histórica porque é temporal, porém, a sociedade propriamente histórica tematiza sua temporalidade, transformando-a em objeto de reflexão. Como conseqüência desse processo, a ideologia ganha um sentido concreto e continuamente cria internamente sua diferença consigo mesma. Essa petrificação do tempo característica da sociedade propriamente histórica, por sua vez, só pode ser alcançada pelo uso da violência e da máscara de uma identidade fixa, manejada pela ideologia.
Há um terceiro tipo de sociedade, que não se encaixa muito bem nessa classificação. É a sociedade que oferece a si mesma uma explicação que transcende a própria sociedade e assim lhe garante intemporalidade. Vista sob nosso ponto de vista ela é sim histórica, mas para ela mesma não. Encontramos essa característica em sociedades orientais, cujo tempo é encarado como cíclico e a história não é registrada, mas contada oralmente.


Exlique o conceito de ideologia como discurso lacunar
O discurso ideológico é feito por lacunas, por espaços em brancos e é graças a isso que seu discurso faz sentido. Essa coerência é o fato de que se mantém com uma lógica coerência e que exerça poder sobre os sujeitos sociais e políticos. “É porque não diz tudo e não pode dizer tudo que o discurso ideológico é coerente e poderoso”. Se tentarmos preencher os espaços em branco, não transformaremos um discurso ideológico ruim em um discurso ideológico bom, destruiremos em verdade sua condição de ideologia.


Por que a ideologia se mantém?
Uma vez que a ideologia se mantém na recusa da realidade, cabe a pergunta de como e por que ela se mantém. Em outras palavras, é preciso entender como a vida social e política oferece meios para reforçar a ideologia.
1° motivo: caráter imediato da experiência a faz permanecer esmagda no desconhecimento da realidade concreta, isto é, do processo de constituição da sociedade e da política. Ou seja, o fazer, a prática, que é feita e logo acaba, não está envolvido com seus processos mais amplos de porque’s e conseqüências, caracterizando, se eu não estiver enganada, num processo de alienação de seus agentes.
2° motivo: a ideologia oferece um “bem-estar” aos indivíduos sociais e políticos retratando uma realidade falsa como idêntica, homogênea e harmoniosa, fornecendo aos sujeitos uma resposta aos desejo metafísico de identidade e ao temos metafísico da desagregação. É uma exigência metafísica dos sujeitos sociais e políticos. A ideologia propicia uma experiência de racionalidade organizada e de lugar “natural” de cada ser humano, e é isso que dá à ideologia força total. Aqui é a primeira vez que usam a metafísica como um argumento concreto.

7 comentários:

Thiago César disse...

eu tenho um livro dessa autora chamado "introdução à filosofia", q estudei durante uma disciplina de mesmo nome no primeiro semestre do meu curso.
mas nem valeu muito a pena comprar, pq gastei uma nota e a gente soh estudou os filósofos pré-socraticos, axo q num dah nem metade do livro...
sou meio preguiçoso pra ler, como vc jah deve ter percebido pq quase nunca comento aki, mas o poko q li gostei.

CA Ribeiro Neto disse...

Gi, esse texto não tem polêmica, não tem o que discutir... hehehehehehe


Mas, colocando a última parte do texto em linguagem popular, seria dizer que a sociedade tem medo do novo e por isso, se "satisfaz" com o que tem?


Das décadas de 50 em diante, cada década tem sua "personalidade", tem suas características, como seria isso, então? 10 anos são bem pouco pra história...

Don Allan disse...

Legal Gi, mas...temo dizer que entendi muito pouco do texto. o.o


Você me explica depois ? xDDD

A moça da flor disse...

li uns dois textos da Mariana Chauí quando tive a cadeira de int. à Filosofia também. Não me recordo bem o conteúdo dos textos, mas não lembro de ter sido tão denso como essa assunto aí não. Engraçado que tou tendo a cadeira de teorias da personalidade e teve um texto que falava justo o oposto do que diz em parte desse texto da Chauí. Fala da derrota do sujeito que vive sem o que acreditar, sem ideologias, sem lutar pelas coisas e caracteriza a explosão de depressivos por aí, que substitui a histeria da época do Freud. Boa discussão!
Parabéns pelo texto! Penso muito em estudar mais filosofia. O que estudei no começo do curso foi muito pouco diante da importância do assunto para uma compreensão mais completa da psicologia.

Beijos. Desculpe pela ausência ^^

Mehazael disse...

Acho interessante essa ideia da autora, embora vá um pouco contra do que estudamos em letras. No caso, a ideologia não habita esse espaço vazio. Muito pelo contrário, ela só se mantém devido a tudo que está por trás dela, e só existe hoje porque já existiu no passado. Até porque, o que nós estudamos em si é o discurso (não sei se vocês estudam Bakhtin e Ducrot, por exemplo), que tratam de conceitos como a polifonia e as Formações Discursivas (que se baseiam e se formam mediante e perante as ideologias).

Mas essa é uma discussão extensa, que podemos ter em outro momento. No geral, acho que o interessante é justamente ter acesso a autores e pensadores que tragam uma visão distinta da que se estuda normalmente. Já pensou em tentar realizar tópicos "lineares"? Como, por exemplo: essa semana apresento o tópico a, semana que vem o b, depois o c e, enfim, uma conclusão que se chegou perante a visão do autor ou algo do gênero. Ou seria uma ideia muito chata?
Bom, pelo menos dei uma ideia, hehehe
Beijão!

A moça da flor disse...

*Marilena

foi mal o nome da mulher é "Marilena" e não "Mariana"hehe

;*

Hermes disse...

Tanto a se aprender...
Mas, enfim, espero mais crônicas sua.