domingo, 13 de setembro de 2009

Café com leite

Lembro-me do melhor copo de café com leite que tomei na vida. Quantos anos eu tinha? Seis. Sete. Talvez oito. Era uma manhã de final de semana. Sábado ou domingo. Naquela época todos os dias da semana eram iguais, pouco importava se era segunda ou sexta. O mesmo acontecia com os finais de semana.


Naquela manhã, ensolarada pelo que podia ser visto da janela, o leite urbano, tirado da caixinha, tinha sido esquentado no fogão (o microondas ainda não tinha chegado a minha casa para acelerar as coisas) e colocado, juntamente com o café feito na hora, num copo americano. O leite, porém, tinha sito fervido e, por isso, não era possível tomar o café com leite preparado pela minha mãe.


Ela, portanto, na pia para não sujar a toalha da mesa, fez uso de um truque muito antigo para esfriar leites muito quente: com a ajuda de um outro copo, trocava rapidamente o líquido amarronzado de recipiente. Acredito que todos conhecem essa técnica. Por fim, o copo americano que eu usaria, foi lavado e, no copo ainda molhado, foi-me entregue o café com leite mais perfeito que já tomei. Nem quente nem frio demais. Nem doce nem amargo demais. Simplesmente perfeito.


Estou com muitas saudades desse café com leite.

12 comentários:

Don Allan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Don Allan disse...

O melhor café com leite que você tomará em sua vida será aquele da manha seguinte do melhor dias das nossas vidas =)

CA Ribeiro Neto disse...

Bem que eu disse que você seria uma ótima cronista!

Gi, em si tratando de primeiro texto literário, você está bem. Não vou te comparar com mestres, tipo Veríssimo, Mário Prata, Paulo Henrique Passos...

Eu também conhecia essa técnica de esfriar líquidos quentes, mas prefiro café puro!
E também dou mó valor beber - seja cerveja, seja café - em copos americanos!

Belo texto, principalmente o final, da saudade da infância e, talvez, não sei, de um carinho materno a mais...

beijosss

Mehazael disse...

Bem "meiguinha" a crônica. hehehe
Espero que não se ofenda, mas gosto mais qd vc escreve seus "pensamentos históricos". Acho até que dá para chamar de ensaios. Desses eu gosto bastante. Até desse último, dá pra dizer q vc faz Licenciatura em História? Ou Ciências Sociais? Posso estar errado, mas é o que me parece. Eu, no caso, faço Letras, mas Bacharelado (mas estou vagamente familiarizado com esse discurso). Podemos até trocar uma ideia, aí eu comento as coisas que me deixam com a pulga atrás de orelha, com uma vontade monstro de dizer: vai com calma que não é bem assim! (especialmente ali na tradução, que me doeu). hauheauheuheueuea

Mas, como diria Jack, vamos por partes ;-)

Hermes disse...

prefiro café puro também, e também concordo que posso te comparar a um Mário Prata e PH Passos, ehauehauhe. Legal a crônica. Essa tecnica de resfriar era praticada muitas vezes pela minha vózinha, que já está morta, bichinha. Era legal.

Mehazael disse...

Não teve nada a ver com o pires, não. Até pq não sei nada de alemão, então nem tem o q doer. hauehaheueheuha

Eu sou tradutor, e o q me doeu foi essa frase:

Assim, percebemos o mundo através de reconstruções e traduções da realidade, dependendo do ângulo e da perspectiva que vemos a realidade; e assim como toda tradução, ela é composta de erros. “Toda tradução é uma traição”.


Esse cara precisa de umas aulas no curso de letras, vou te contar...

Paulo Henrique Passos disse...

Gi, num liga pra esses caras que ficam metendo um tal de não sei o quê Passos no meio dos nomes dos que realmente se garantem. Kkkkkkkk

Das duas uma: ou eu frustro todo mundo logo de uma vex ou eu vou acabar acreditando nessas coisas hehehe

Bem meigo mesmo o texto. E essa técnica: É O NOVO!

CA Ribeiro Neto disse...

Desconfio que a Gi não conhece esse termo "É o novo"... e o Paulo Henrique Passos pode sim ser considerado como imerso entre esses outros grandes escritores.

p.s.: quanto eu vim ver a crônica, eu vi o título "café com leite" já pensei que era falando do momento de antes de Getúlio Vargas! hahahaha

Gi disse...

é, não conheço...

ehehe

Gi disse...

mas tenho uma ideia pelo contexto...

Mehazael disse...

Oi, Gi! Brigadão pelo comentario! Gostei mesmo (apesar de considerar a história meio triste mesmo - aliás, comecei a considerar a história ainda mais triste agora pelo seu comentário...). Pena que tu não escreveu mais nada aqui. Tava esperando pra comentar. Fica pra próxima, né. Gosto mt do teu blog. Me sinto "por dentro" do assunto. hehehe

Beijão!

Um poeta cronista cantador de contos disse...

"é o novo!": expressão utilizada no idioma cearês para indicar que algo é muito antigo.

Adoro essa técnica! mas, infelizmente, estou me privando de café... Nós professores temos de cuidar da garganta, sem falar do refluxo! Que pena, porque eu sou TÃO VICIADO...


E você é uma excelente cronista, sim!