sexta-feira, 3 de julho de 2009

Bicho - Papão

Quem nunca ouviu falar, quando criança, do bicho-papão? E também atire a primeira a pedra quem nunca ficou com medo deste monstro e do homem do saco. Esses dias, lendo Gilberto Freyre, descobri uma curiosidade sobre esses personagens folclóricos que não são exclusivamente brasileiros. Para completar, recomendo este livro, Casa Grande e Senzala,
para todos que querem saber um pouco mais sobre a formação do povo brasileiro, é um livro bastante fácil sem termos técnicos e de uma leitura não exclusiva a historiadores, sociólogos, antropólogos, etc.

Esses personagens surgiram como um meio de pais e esposos exercerem dominação e controle sobre seus filhos e esposas. Para as tribos da América, o uso de personagens malignos misturados com rituais e máscaras eram práticas tradicionais para sujeitar as crianças, em especial, a
autoridade dos grandes.

Entre os Pueblo, que viviam na atual região do México, os mais velhos faziam uma dança com personagens como os papões ou terríveis figuras do outro mundo, que vinham a este para devorar meninos maus e desobedientes. Os zuñi, também da mesma região que os Pueblos, praticavam uma dança macabra bastante semelhante àquela que terminava com a morte de uma criança, escolhida dentre as de pior comportamento da tribo. Entre os antigos hebreus era o Libith, monstro cabeludo e horrendo que voava de noite em busca de crianças; entre os romanos a Caprimulgus saía de noite para tirar leite de cabra e comer menino; entre os russos é um horrível papão que a meia-noite vem roubar as crianças em pleno sono; entre os alemães é o Papenz; entre os escoceses e ingleses, o Boo Man; entre os maias havia a crença em gigantes que de noite vinham roubar menino.

Entre algumas tribos indígenas do Brasil, as máscaras usadas nas danças desempenhavam papel importante com o mesmo fim de amedrontar as mulheres e crianças a fim de conservá-las em boa ordem. As máscaras eram guardadas como objetos sagrados e seu misterioso poder se transmitia ao dançarino. Eram máscaram imitando animais demoníacos nos quais supunha que o indígena que a usava transformava-se em morto, e sua eficácia mágica era aumentada pelo fato de serem humanos ou de origem animal muitos dos materiais de sua composição.

No Brasil, esse personagem folclórico se manteve sofrendo modificações e tornando-se o que é hoje. Logo na colonização, os jesuítas já fizeram uso dessas danças indígenas com o fim de desprestigiar pelo ridículo os rituais, assim as máscaras que antes eram sagradas estavam destruídas entre os índios e um dos seus meios mais fortes de controle social também, tornando o Cristianismo, até certo ponto, vitorioso. A eficácia deste personagem folclórico está se perdendo, muitas crianças dessa nova geração já tratam pelo ridículo o bicho papão assim como nem acreditam em Papai Noel e tem a infelicidade de escolher seu presente na própria loja. O rápido fluxo de informações do qual, inclusive as crianças, estão submetidas, tornam as lendas e os costumes perdidos, colocando todos dentro do mesmo padrão globalizador.
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Essa semana ao receber uma prova sofri uma severa crítica. Sei que não escrevo como José de Alencar ou Graciliano Ramos, muito menos como Sérgio Buarque de Holanda, mas apesar de ter ganhado uma boa nota na prova que não passava de uma dissertação sobre uma passagem de um livro, tinha um comentário escrito "redação sofrível". É mesmo? E tão ruim assim?

5 comentários:

CA Ribeiro Neto disse...

Quanto à parte antes do grande traço, a globalização é uma grande culpada mesmo. Lembro-me que quando criança era dia das bruxas, hoje só se fala em Hallowen...

Aliás, hoje não se tem mais medo dessas lendas, porque o bicho-papão atual é a marginalização, e o antídoto não é se comportar, é só passear no shopping.

Porém, o que me chamou atenção nesse post foi o que veio depois do grande traço...
A sua dissetação é essa do bicho-papão? Aposto que esse professor deve escrever "bonito" e incompreensível pra caramba. Você só está no começo do curso e realmente, o que eu li seu não dá pra dizer que é acadêmico, mas vc não faz literatura, líricamente falando, aqui no blog. Você faz crônicas baseado em seus estudos históricos com vícios puramente da categoria de livros de história e, sinceramente, acho que você escreve muito bem.

Se não for muito grande, proponho que post aqui essa tal dissertaçao.

Gi disse...

Obrigada, Carlinhos!

Não, a dissertação era sobre um trecho do livro do Caio Prado Jr., Formação do Brasil Contemporâneo.

É relativamente grande o texto sim, no word foram 3 páginas. Posso te passar por msn depois.

Mas obrigada pelo elogio, fiquei imensamente triste com o comentário dele, porque não me considero a melhor mas sou melhor do que muita gente ali que me pergunto como passou no vestibular.

Don Allan disse...

Você escreve muito bem flor, além de ter bastante potencial para tal =)


E é incrivel como esse cara fala de tudo nesse livro ! É impressionante xDDD

Gi disse...

oi gi é o italo eu li e gostei do seu comentario fico um pouco grande mas eu li!XDDDDDDDDDDDDDDDDDDd
By italo

Hermes disse...

Eu já passei dessa fase de atacar a globalização e culpá-la por destruir lendas e costumes. Lendas e costumes vão mudando, nada é estável. Só porque uma coisa muda não quer dizer que ela vai ser ruim. Algumas lendas e costumes vão perdendo seu valor e desaparecendo mesmo, até porque a lenda perde sentido quando o contexto social muda. Não é mesmo?Esse nome "bicho papão" já é visto como algo engraçado. Mas repito, não vou dizer que as novas formas de assustar são melhores. Até porque isso já é escroto, eheuhue. Mas hoje em dia não precisa disso não, basta falar: sai sangue, ou : olha o ladrão!. Pronto.
Sobre você ter uma redação sofrível, pelo que já li teu não concordo. Mas vou querer ler o texto que ele leu. xD
(Tu fica lendo Casa Grande e Senzala e eu tendo que ler Comte...kkk)