quarta-feira, 10 de junho de 2009

A terça-feira fatídica para a USP

Acho que mesmo sem querer, estou acompanhando a greve pelo meu blog. Comecei falando da paralização dos estudantes que sucederam a greve dos funcionários, depois a barricada e agora a situação fatídica que a USP enfrentou ontem.

Como acompanhei de longe o que aconteceu na USP, há coisas que não sei direito realmente, como quem começou o conflito? De um lado li que foram os alunos que começaram jogando pedras e garrafas, de outro é dito que foram os policiais que começaram com provocações a duas "companheiras". Essa última informação no site da Sintusp.

O fato é que essa situação é decadente. Numa faculdade com dezenas de milhares de alunos, quantos estavam nas imagens de ontem? Num chegava a ser metade. Outra coisa que me entristece enormemente, é essa generalização com os alunos da FFLCH. Infelizmente é sim lá o foco de manifestação, mas são uma minoria, dentre os alunos da FFLCH, que são a favor da greve, fazem barricadas e se dizem revolucionários querendo mudar a faculdade. Segunda-feira vi na parece uma pichação que dizia ''Por uma USP sem reitoria". O que querem? Que uma universidade do porte da USP, como dezenas de milhares de alunos, seja entregue as mãos dos alunos? Esses mesmos que fazem dos corredores de um prédio público mantido pela sociedade e dela pertencente com suas passagens obstruídas?

Pareço ser individualista a dizer que estou preocupada com o meu ano. Porque com os acontecimentos de ontem, a manifestação contra a reitora e seu "impeachement" tomou força, sendo que seu mandato acaba no final do ano. Diante da negação do Serra de tirá-la do seu cargo, estou vendo a História em greve até o final do ano. Mas isso não é individualista, porque esse é o problema de muito mais gente.

Segunda-feira participei de uma assembleia na história que, a príncipio, deveria discutir sobre a greve e lá ouvi argumentos repugnantes. Um aluno disse que "tem gente que entra na USP querendo estudar. Mas se você entrou com essa intenção, você se fudeu, porque aqui você não tem aula, você tem é que discutir os problemas da universidade!!". Isso me indignou. Desculpe, mas se ele se preocupa tanto com política e os problemas da universidade, porque ele não entrou em qualquer universidade com muito menos qualidade? Assim ele teria muito mais tempo para discutir problemas mais reais do mundo real como a miséria, a fome, a desigualdade, a corrupção, etc. O que será da USP no futuro com essa interferência dos alunos acéfalos que querem fazer da minha faculdade - a FFLCH - um centro de debate político composto por crianças que leram o Manifesto do Partido Comunista e se dizem revolucionários especialistas em Marx? A Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, antes de um lugar de combate entre alunos e policias (como foi o caso ontem) deveria ser um lugar de formação de historiadores, geógrafos, sociólogos e filósofos que se preocupam com os problemas da sociedade e tentam resolvê-los, ao contrário de criar mais problemas.

Os alunos podem ter seus milhares de motivos contra a presença da polícia no campus, se preocupam imensamente com a política do campus e com a reitoria, se preocupam inclusive com os funcionários, seu aumento salarial e a readimissão do Brandão, mas estão longe de se preocupar com a decadência do ensino que eles mesmos estão provocando. Não é a luta contra a Univesp que vai melhorar o ensino superior no Brasil, são manifestações mais conscientes sem autoritarismo e confronto com a polícia.

Só termino essa desabafo dizendo que ontem senti vergonha de fazer parte da USP, inclusive, da FFLCH. Instituição que possui o melhor curso de história da região, a melhor das bibliotecas e os professores, exemplos de formação, que em poucos meses me fizeram perceber que eu amo a História, muito mais do que quando entrei na faculdade.

6 comentários:

Don Allan disse...

Acho que se a atual greve fosse por melhorias na universidade, como mais investimento nos próprios prédios e cursoso, capacitação de pessoal, laboratórios, etc, seria ótimo !

Mas é uma questão politica contra a reitoria, e só... isso que complica as coisas....


Sem querer ser egoistas, mas... haha, ainda bem que eu vou fazer poli xDD

CA Ribeiro Neto disse...

Concordo plenamente com você. Segundo o jornal nacional, os estudantes disseram que eram 2 mil manifestantes, já a polícia diz que foram 800 manifestantes. Os números são bem diferentes, acredito numa média disso... uns 1300...

Acho que o movimento estudantil ficou infantil e os marxistazinhos estão se sentindo pinto no lixo com tudo isso.

Hermes disse...

é incrível como em todo curso de humanas tem esses infantis, tenho nada a aumentar ai, esse assunto me irrita.

Thiago César disse...

tive preguiça de ler tudo, mas lembro q há vários meses atrás ocorreu algo parecido na UFC, esse lance de conflito mal explicado entre alunos e seguranças da reitoria...

Paulo Henrique Passos disse...

É, pelo que eu li, a palavra no título (fatídico) traduziu tudo: trágico e refere-se ao futuro, o prever.

Pedro Gurgel Moraes, um Poeta disse...

Eu só digo, aquilo que repito...

Ótimo artigo. Concordo plenamente... Vi o DCE do IFCE amadurecer um pouco, acho que os meninos estão ouvindo as críticas decentes!

Mas aí vai uma opinião relevante e fantástica:

"Revolution - The Beatles

You say you want a revolution
Well you know
We all want to change the world
You tell me that it's evolution
Well you know
We all want to change the world
But when you talk about destruction
Don't you know you can count me out
Don't you know it's gonna be alright
Alright Alright

You say you got a real solution
Well you know
We'd all love to see the plan
You ask me for a contribution
Well you know
We're doing what we can
But if you want money for people with minds that hate
All I can tell you is brother you have to wait
Don't you know it's gonna be alright
Alright Alright

You say you'll change the constitution
Well you know
We all want to change your head
You tell me it's the institution
Well you know
You better free your mind instead
But if you go carrying pictures of Chairman Mao
You ain't going to make it with anyone anyhow
Don't you know know it's gonna be alright"