quinta-feira, 18 de junho de 2009

Engenho São Jorge dos Erasmos

O Brasil, assim como outros países que foram submetidos a um regime colonial, teve seu sentido de colonização único e exclusivamente para o lucro de sua respectiva metrópole. Isso é o que denuncia Caio Prado Jr., um gênio brasileiro, em seu livro Formação do Brasil Contemporâneo, mas isso é um assunto a ser tratado numa outra ocasião. O que quero falar aqui é sobre as ruínas no Engenho São Jorge dos Erasmos, um patrimônio cultural, da capitania de São Vicente que hoje se encontra na cidade de Santos, no litoral paulista. Este engenho, um dos primeiros a ser construídos na América Portuguesa foi um importante personagem da gênese das práticas políticas coloniais e da produção açucareira no que um dia viria a se tornar o Brasil.

Martim Afonso de Souza, quando chegou ao litoral da América Portuguesa, veio com intenções colonizadoras e povoadoras a fim de expulsar a constante ameaça da presença francesa. Mas é claro que apenas sua vinda e estabelecimento, não traria o lucro que a metrópole tanto queria. Portugal, baseada nas produções primitivas de açucar em ilhas do Atlântico enviou Martim Afonso de Souza com mudas de cana. Além disso, este nosso colonizador se instalou em uma área bastante favorável. Além de geograficamente ser uma porta ao sertão adentro da colônia portuguesa, a relação luso-indígena já estava bastante favorecida graças a presença de náufragos portugueses que lá se instalaram anos antes e criaram uma relação pacífica com os índios da região. João Ramalho é um desses personagens históricos, ele não só se casou com a filha do líder, como veio a se tornar o líder mais tarde, além de controlar o acesso ao planalto paulista e ser um importante agente de tráfico indígena. Mais tarde, esse colonizador bastante intrigante veio fundar a vila Santo André da Borda do Campo, que hoje corresponde ao cidade de Santo André no ABC Paulista.

Quando Dom João III criou as capitanias hereditárias, a Vila de São Vicente se tornou capitania com Martim Afonso de Souza sendo seu donatário. Este instaurou o produção de açucar e, entre outros engenhos, a construção do Engenho do Governador. O investimento para a produção açucareira, contudo, era bastante alto e, portanto, de difícil acesso para muitos. Para facilitar esse setor econômico na região, Martim fez uma aliança com a Família Schetz da Antuérpia e o nome do Engenho passou a ser São Jorge dos Erasmos. O engenho era bastante primitivo, seguindo os moldes dos da Ilha de São Domingos e, portanto, não possuía em sua estrutura as famosas Casa Grande e Senzala. Estas só vieram a ser construídas nos engenhos do Nordeste, que contavam com uma área bastante grande e uma produção também bastante elevada.

A produção não durou muito. Possuía muitas desvantagens em relação a produção nordestina: baixa qualidade do solo, distância entre a metrópole muito maior e os seus investidores, a família Schetz, enfrentava a Guerra dos Países Baixos. Assim, o engenho entrou em decadência como os outros do litoral santista. No século XIX, o engenho não acompanhou o breve surto de produção açucareira paulista no litoral norte, que logo perdeu espaço para a produção cafeeira.

Hoje, o Engenho pertence a Universidade de São Paulo e está submetido a inúmeros estudos históricos e arqueológicos e uma reforma que visa a restauração e preservação de suas ruínas. Durante as férias é aberto para visitas, possibilitando uma maior integração social ao que restou de testemunho da época em que a política colonial estava em sua gênese.

Site da USP sobre o Engenho de onde tirei as fotos.

5 comentários:

Hermes disse...

já tem um conhecimento histórico elevado, essa garota. Devia escrever crônicas. ^^
Interessante a História, vou dá outra lida depois. É legal a iniciativa da USP, importante ter essa conservação do passado. Abraço, e eu voltei
http://naquintadimensao.blogspot.com/
novo link.

Gi disse...

ahahaha..

conhecimento elevado nada... só sei um pouco mais sobre são vicente e o engenho s. j. dos erasmos pq estou fazendo um trabalho sobre ele!! xP

mas obrigada, Hermes! =D

CA Ribeiro Neto disse...

1. Também acho que a Gi tem futuro na crônica.
2. Gostei desse engenho, porque ele é de São Jorge - do Conringão - e Erasmo - lembra o grande compositor e cantor Erasmo Carlos.
3. Gi, tu já pegou umas frases tipicamente de historiadores como: "Mas é claro que apenas sua vinda e estabelecimento, não traria o lucro que a metrópole tanto queria." Já pode escrever um livro!
4. É importante esse respeito ao passado e a manutenção da sua história!

beijos

Don Allan disse...

Haha. Historiadora linda ! =)))


Se voce escrever quero dedicatórias a mim ><


"Ao meu namorado, gostoso e lindo !" =pp


E sobre o engenhO...vamos lá um dia conhecer ? o.o

Gi disse...

uhaauhauhauahauhauahauahuahah

que convendido master!! ahahahahahaha

então, vamos sim! eu queria bastante ir lá!!