segunda-feira, 8 de junho de 2009

Alta cultura mesoamericana

Num outro post, já havia falado sobre cultura. Foi colocado em questão se o homem é mais cultural ou mais instintivo. Lá deixei bastante clara minha opnião, mas para de certa maneira confirmá-la mais um pouco com bons argumentos, relatarei aqui a visão que Miguel Léon Portilla tem sobre cultura e alta cultura, que foi o tema central de um trabalho que fiz para América Colonial na faculdade.

A começar pelo autor, Miguel Léon Portilla é um historiador e antropólogo mexicano especializado em povos e culturas pré-hispânicas no México. Sua obra de doutorado foi a Filosofia do Nahuatl, língua oficial dos astecas. Em uma compilação de artigos sobre América Colonial, Léon Portilla escreve em seu artigo uma síntese sobre os povos pré-hispânicos da Mesoamérica dando bastante destaque aos Mexicas, também conhecidos como astecas.

O curioso de seu trabalho é o caminho pelo qual ele percorre. Seguindo rigorosamente uma cronologia a fim de mostrar a evolução cultural sofrida pelos povos mesoamericanos, começa com os povos mais primitivos e vai evoluindo até os mexicas, que são considerados pelo autor como o ápice de desenvolvimento cultural mesoamericano. O que me intrigou ao começar a ler este texto e perceber essa clara distinção entre culturas desenvolvidas e culturas primitivas, não desenvolvidas, é se era válido questionar o desenvolvimento cultural de qualquer povo. Eu me perguntei se considerar um povo altamente desenvolvido culturalmente não era desprivilegiar outros seguindo um critério baseado em nossa cultura. Qualquer um que coloque em questão o nível de desenvolvimento cultural seja lá de qual povo for, vai se auto considerar como o mais evoluído, e seguirá suas próprias referências.

Mas, dada a sua formação, Léon Portilla sabe do que está falando. Alta cultura para ele não é aquela mais desenvolvida, nem a que necessariamente domina outros povos atraves da força bélica. Alta cultura é uma entidade própria, que sobrevive a morte de seus possuidores, para ser posse de outros, e assim, sofrer uma constante evolução cultural em suas diversas esferas: política, social, econômica e artística.

Considerar os Olmecas menos desenvolvidos culturalmente que os astecas, não é desprivilegiá-los. É trabalhar com fatos: eles iniciaram a alta cultura mesoamerica, mas sua organização política era primitiva, e não chegava a constituir uma civilização nem um Estado, suas manifestações artísticas se limitavam a esfera religiosa, a organização social não era complexa, se dividindo simplesmente em critérios de trabalho, e a organização econômica se apresentava limitada entre a produção subsistente e um comércio de pouco alcance.

Os mexicas por sua vez, apresentavam uma extrema complexidade entre todas essas esferas características de alta cultura. Além das esferas política, social, econômica e artística, possuíam a habilidade de contar e manipular a própria história, além de, assim como os maias, possuíam calendários e uma escrita bastante complexa. Dentre várias outras características, os possuidores de uma alta cultura mesoamericana, que não se limitam aos olmecas, maias e astecas, problematizam o tempo, criando métodos de escrita, como os hieróglifos, para que as informações de suas origens trascendam o alcance da memória.

Na foto acima, Calendário Asteca, também conhecido como Pedra do Sol, calendário utilizado pelos astecas até a chegada dos espanhóis. Este calendário é baseado no Sol, portanto possuí 365 dias.

2 comentários:

Don Allan disse...

Tá. Eu quero fazer história *.*

CA Ribeiro Neto disse...

Bem, antes de chegar ao final do texto, eu já imaginava de como o carinha aí comparou as duas civilizações e acho corretíssima. Uma escrita, uma noção de história, e organizaçao política são sim formas de comparar civilizações, ainda mais se você não fazer parte de uma das duas civilizaçoes.

Diferentemente do que ocorre aqui no Brasil, onde ainda escuto gente dizendo que índios são um bando de preguiçosos!