sexta-feira, 26 de junho de 2009

Era uma vez um astro do pop

Willian Bonner: Michael Jackson está morto!
Eu: O que?????

A morte de alguém do nível de Michael Jackson faz nós, meros mortais, lembrar que ninguém, nem Michael Jackson e nem Elvis Presley, é imortal. Nunca se falou tanto sobre ele, nem se mostrou tantas vezes seus clipes e nem se tocou tantas vezes suas músicas.

Nunca fui muito fã desse cantor, gostava de uma música ou outra, principalmente as do início de sua carreira. Até porque, nesses últimos anos, sua imagem me assustava. Quem acompanhou no canal E! da TV a cabo o julgamento do ídolo POP quando acusado de pedofilia, viu que os episódios pareciam um filme de terror misturado com suspense, um verdadeiro thriller. Sua face deformada ajudava o clima pesado do tribunal e as acusações horrorosas.

Mas tão importante quanto o sucesso de suas músicas é o que Michael Jackson representa para o final do século XX. Essa noite, no Jornal da Globo, o colunista musical Álvaro Pereira Jr. comentou esse papel que o ídolo pop representa para essa geração que acompanhou a ascensão e decadência de Michael Jackson. Ele não só faz parte de um momento em que a música negra ocupava um lugar no sociedade segregacionista estadunidense, como representou alguém bastante infeliz com sua própria aparência dentro de um padrão de beleza branco, magro e de cabelos lisos.

No final dos anos 60 começo dos anos 70, a segregação racial nos Estados Unidos diminui um pouco, o que permite uma aproximação da música negra com o restante da população branca estadunidense. Um outro exemplo disso além de quem estamos falando é Stevie Wonder. Dentro desta perspectiva Michael Jackson logo se destaca entre seus irmãos dentro da banda da qual faziam parte: os Jackson Five. Assim, ainda quando era integrante do grupo, já lançava álbuns solos. Tudo isso graças ao carisma que Michael Jackson possuia, indispensável para um astro da música pop. Além de se caracterizar como sendo um artista completo. Sem desmerecer, é claro, outros artistas, MJ não só aparecia no palco para cantar, era ele quem escrevia e compunha suas músicas, criava as coreografias e exercia papel bastante importante na direção de seus videoclipes.

É inegável dizer que a partir de um determinado momento o astro entrou em decadência. Afundou-se em dívidas, envolveu-se em escândalos como quando foi acusado de pedofilia e quando pendurou seu filho ainda bebê pela janela, sempre foi de uma saúde frágil e era conhecido por ser viciado em analgésicos. Se ele realmente praticou pedofilia é difícil dizer, mas quanto ao seu filho pendurado na janela do quarto do hotel, é como meu pai disse: ele nem sabia o que estava fazendo. Uma pessoa que não tem jeito, nem prática de cuidar de crianças, foi apresentar o filho pela janela, e acabou, sem querer, pendurando-o do jeito que fez.

Tudo isso tem a ver com uma fragilidade emocional e física. Era muito criança quando entrou nesse mundo de celebridade, ausente de qualquer maturidade psicológica, e acabou sofrendo com sua própria fama. Esta foi tão grande que acabou tornando-se destrutiva. Ainda sim, devemos muito a Michael Jackson pela revolução que ele causou na música pop, graças ao seu talento imenso e único.

Talvez ele adquira a mesma fama que Elvis, e há quem diga por aí que Michael Jackson não morreu. Sobre isso aliás, tenho algo a acrescentar: há os que perdem seus batimentos cardíacos, suas características biológicas, mas nunca morrem. Há muitos por aí que comprovam isso.

domingo, 21 de junho de 2009

USP de novo!

Confesso que cada vez mais estou me entristecendo com a realidade universitária. Já me disseram que no final vai tudo valer a pena, tomara. Mas estou começando a refletir se fiz a minha melhor escolha. É simplesmente degradante o que está acontecendo na USP, e quando eu acho que não pode piorar... Adivinha? Piora! Não queria escrever mais sobre isso no meu blog, mas neste última sexta feira aconteceu algo digno de ser notado para confirmar o quanto o Movimento Estudantil, atuando como massa de manobra dos movimentos do Sintusp, age por interesses próprios e por métodos fascistas.

Um grupo de alunos da USP contrários a greve fizeram um movimento próprio intitulado como "a greve da greve", e para isso organizaram um flash mob no campus da USP somente para se juntar, trocar umas ideias e mostrar a quem quisesse ver que o grupo contra essa situação enfrentada hoje pela universidade é forte e grande. Bom, organizada pelo orkut, eu, sinceramente, não havia dado muito crédito ao movimento achando que não ia dar em nada. Quando eu vejo, no dia seguinte, um depoimento de um dos organizadores do flash mob dizendo que durante a manifestação, que até então estava sendo pacífica e sem grandes acontecimentos, o grupo de grevistas da USP chegaram e expulsaram os anti-grevistas a base de xingamentos, lançamento de pedras e até mesmo pontapés. Aqui está o relato do rapaz.

Mas é claro, que apesar das confirmações de outras pessoas que disseram ser testemunhas no próprio tópico do relato, é possível se duvidar de tais acontecimentos. Só que eu ainda estou refletindo se é para rir ou para chorar. Primeiro porque esse grupo de grevistas não percebem que estão fazendo o que dizem que estão lutando contra: estão em greve por causa da presença da PM que se diz intimidadora e um indício de ausência de diálogo pois representa uma força repressora, mas ao mesmo tempo sentem orgulho de terem dispersado o grupo de anti-grevistas, que estavam realizando o flash-mob, da forma como fizeram. Aqui está o relato de um fascista orgulhoso. Para completar a veracidade, pelo menos em partes do que disse nosso colega agredido, há vídeos postados no youtube. Não mostram as cuspidas, as pedras, os chutes... Mas mostram a agressividade verbal que esses pseudo-alunos da Universidade de São Paulo que ficam sete, oito e até nove anos mamando as custas do Estado sem retribuir essa contribuição a sociedade são especialitas em praticar. Vergonhoso.

Só completo que diante dessa realidade reforço minha posição a favor da PM no campus, se essa for a condição para que os alunos de opniões contrárias não sejam agredidos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Engenho São Jorge dos Erasmos

O Brasil, assim como outros países que foram submetidos a um regime colonial, teve seu sentido de colonização único e exclusivamente para o lucro de sua respectiva metrópole. Isso é o que denuncia Caio Prado Jr., um gênio brasileiro, em seu livro Formação do Brasil Contemporâneo, mas isso é um assunto a ser tratado numa outra ocasião. O que quero falar aqui é sobre as ruínas no Engenho São Jorge dos Erasmos, um patrimônio cultural, da capitania de São Vicente que hoje se encontra na cidade de Santos, no litoral paulista. Este engenho, um dos primeiros a ser construídos na América Portuguesa foi um importante personagem da gênese das práticas políticas coloniais e da produção açucareira no que um dia viria a se tornar o Brasil.

Martim Afonso de Souza, quando chegou ao litoral da América Portuguesa, veio com intenções colonizadoras e povoadoras a fim de expulsar a constante ameaça da presença francesa. Mas é claro que apenas sua vinda e estabelecimento, não traria o lucro que a metrópole tanto queria. Portugal, baseada nas produções primitivas de açucar em ilhas do Atlântico enviou Martim Afonso de Souza com mudas de cana. Além disso, este nosso colonizador se instalou em uma área bastante favorável. Além de geograficamente ser uma porta ao sertão adentro da colônia portuguesa, a relação luso-indígena já estava bastante favorecida graças a presença de náufragos portugueses que lá se instalaram anos antes e criaram uma relação pacífica com os índios da região. João Ramalho é um desses personagens históricos, ele não só se casou com a filha do líder, como veio a se tornar o líder mais tarde, além de controlar o acesso ao planalto paulista e ser um importante agente de tráfico indígena. Mais tarde, esse colonizador bastante intrigante veio fundar a vila Santo André da Borda do Campo, que hoje corresponde ao cidade de Santo André no ABC Paulista.

Quando Dom João III criou as capitanias hereditárias, a Vila de São Vicente se tornou capitania com Martim Afonso de Souza sendo seu donatário. Este instaurou o produção de açucar e, entre outros engenhos, a construção do Engenho do Governador. O investimento para a produção açucareira, contudo, era bastante alto e, portanto, de difícil acesso para muitos. Para facilitar esse setor econômico na região, Martim fez uma aliança com a Família Schetz da Antuérpia e o nome do Engenho passou a ser São Jorge dos Erasmos. O engenho era bastante primitivo, seguindo os moldes dos da Ilha de São Domingos e, portanto, não possuía em sua estrutura as famosas Casa Grande e Senzala. Estas só vieram a ser construídas nos engenhos do Nordeste, que contavam com uma área bastante grande e uma produção também bastante elevada.

A produção não durou muito. Possuía muitas desvantagens em relação a produção nordestina: baixa qualidade do solo, distância entre a metrópole muito maior e os seus investidores, a família Schetz, enfrentava a Guerra dos Países Baixos. Assim, o engenho entrou em decadência como os outros do litoral santista. No século XIX, o engenho não acompanhou o breve surto de produção açucareira paulista no litoral norte, que logo perdeu espaço para a produção cafeeira.

Hoje, o Engenho pertence a Universidade de São Paulo e está submetido a inúmeros estudos históricos e arqueológicos e uma reforma que visa a restauração e preservação de suas ruínas. Durante as férias é aberto para visitas, possibilitando uma maior integração social ao que restou de testemunho da época em que a política colonial estava em sua gênese.

Site da USP sobre o Engenho de onde tirei as fotos.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A terça-feira fatídica para a USP

Acho que mesmo sem querer, estou acompanhando a greve pelo meu blog. Comecei falando da paralização dos estudantes que sucederam a greve dos funcionários, depois a barricada e agora a situação fatídica que a USP enfrentou ontem.

Como acompanhei de longe o que aconteceu na USP, há coisas que não sei direito realmente, como quem começou o conflito? De um lado li que foram os alunos que começaram jogando pedras e garrafas, de outro é dito que foram os policiais que começaram com provocações a duas "companheiras". Essa última informação no site da Sintusp.

O fato é que essa situação é decadente. Numa faculdade com dezenas de milhares de alunos, quantos estavam nas imagens de ontem? Num chegava a ser metade. Outra coisa que me entristece enormemente, é essa generalização com os alunos da FFLCH. Infelizmente é sim lá o foco de manifestação, mas são uma minoria, dentre os alunos da FFLCH, que são a favor da greve, fazem barricadas e se dizem revolucionários querendo mudar a faculdade. Segunda-feira vi na parece uma pichação que dizia ''Por uma USP sem reitoria". O que querem? Que uma universidade do porte da USP, como dezenas de milhares de alunos, seja entregue as mãos dos alunos? Esses mesmos que fazem dos corredores de um prédio público mantido pela sociedade e dela pertencente com suas passagens obstruídas?

Pareço ser individualista a dizer que estou preocupada com o meu ano. Porque com os acontecimentos de ontem, a manifestação contra a reitora e seu "impeachement" tomou força, sendo que seu mandato acaba no final do ano. Diante da negação do Serra de tirá-la do seu cargo, estou vendo a História em greve até o final do ano. Mas isso não é individualista, porque esse é o problema de muito mais gente.

Segunda-feira participei de uma assembleia na história que, a príncipio, deveria discutir sobre a greve e lá ouvi argumentos repugnantes. Um aluno disse que "tem gente que entra na USP querendo estudar. Mas se você entrou com essa intenção, você se fudeu, porque aqui você não tem aula, você tem é que discutir os problemas da universidade!!". Isso me indignou. Desculpe, mas se ele se preocupa tanto com política e os problemas da universidade, porque ele não entrou em qualquer universidade com muito menos qualidade? Assim ele teria muito mais tempo para discutir problemas mais reais do mundo real como a miséria, a fome, a desigualdade, a corrupção, etc. O que será da USP no futuro com essa interferência dos alunos acéfalos que querem fazer da minha faculdade - a FFLCH - um centro de debate político composto por crianças que leram o Manifesto do Partido Comunista e se dizem revolucionários especialistas em Marx? A Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, antes de um lugar de combate entre alunos e policias (como foi o caso ontem) deveria ser um lugar de formação de historiadores, geógrafos, sociólogos e filósofos que se preocupam com os problemas da sociedade e tentam resolvê-los, ao contrário de criar mais problemas.

Os alunos podem ter seus milhares de motivos contra a presença da polícia no campus, se preocupam imensamente com a política do campus e com a reitoria, se preocupam inclusive com os funcionários, seu aumento salarial e a readimissão do Brandão, mas estão longe de se preocupar com a decadência do ensino que eles mesmos estão provocando. Não é a luta contra a Univesp que vai melhorar o ensino superior no Brasil, são manifestações mais conscientes sem autoritarismo e confronto com a polícia.

Só termino essa desabafo dizendo que ontem senti vergonha de fazer parte da USP, inclusive, da FFLCH. Instituição que possui o melhor curso de história da região, a melhor das bibliotecas e os professores, exemplos de formação, que em poucos meses me fizeram perceber que eu amo a História, muito mais do que quando entrei na faculdade.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Alta cultura mesoamericana

Num outro post, já havia falado sobre cultura. Foi colocado em questão se o homem é mais cultural ou mais instintivo. Lá deixei bastante clara minha opnião, mas para de certa maneira confirmá-la mais um pouco com bons argumentos, relatarei aqui a visão que Miguel Léon Portilla tem sobre cultura e alta cultura, que foi o tema central de um trabalho que fiz para América Colonial na faculdade.

A começar pelo autor, Miguel Léon Portilla é um historiador e antropólogo mexicano especializado em povos e culturas pré-hispânicas no México. Sua obra de doutorado foi a Filosofia do Nahuatl, língua oficial dos astecas. Em uma compilação de artigos sobre América Colonial, Léon Portilla escreve em seu artigo uma síntese sobre os povos pré-hispânicos da Mesoamérica dando bastante destaque aos Mexicas, também conhecidos como astecas.

O curioso de seu trabalho é o caminho pelo qual ele percorre. Seguindo rigorosamente uma cronologia a fim de mostrar a evolução cultural sofrida pelos povos mesoamericanos, começa com os povos mais primitivos e vai evoluindo até os mexicas, que são considerados pelo autor como o ápice de desenvolvimento cultural mesoamericano. O que me intrigou ao começar a ler este texto e perceber essa clara distinção entre culturas desenvolvidas e culturas primitivas, não desenvolvidas, é se era válido questionar o desenvolvimento cultural de qualquer povo. Eu me perguntei se considerar um povo altamente desenvolvido culturalmente não era desprivilegiar outros seguindo um critério baseado em nossa cultura. Qualquer um que coloque em questão o nível de desenvolvimento cultural seja lá de qual povo for, vai se auto considerar como o mais evoluído, e seguirá suas próprias referências.

Mas, dada a sua formação, Léon Portilla sabe do que está falando. Alta cultura para ele não é aquela mais desenvolvida, nem a que necessariamente domina outros povos atraves da força bélica. Alta cultura é uma entidade própria, que sobrevive a morte de seus possuidores, para ser posse de outros, e assim, sofrer uma constante evolução cultural em suas diversas esferas: política, social, econômica e artística.

Considerar os Olmecas menos desenvolvidos culturalmente que os astecas, não é desprivilegiá-los. É trabalhar com fatos: eles iniciaram a alta cultura mesoamerica, mas sua organização política era primitiva, e não chegava a constituir uma civilização nem um Estado, suas manifestações artísticas se limitavam a esfera religiosa, a organização social não era complexa, se dividindo simplesmente em critérios de trabalho, e a organização econômica se apresentava limitada entre a produção subsistente e um comércio de pouco alcance.

Os mexicas por sua vez, apresentavam uma extrema complexidade entre todas essas esferas características de alta cultura. Além das esferas política, social, econômica e artística, possuíam a habilidade de contar e manipular a própria história, além de, assim como os maias, possuíam calendários e uma escrita bastante complexa. Dentre várias outras características, os possuidores de uma alta cultura mesoamericana, que não se limitam aos olmecas, maias e astecas, problematizam o tempo, criando métodos de escrita, como os hieróglifos, para que as informações de suas origens trascendam o alcance da memória.

Na foto acima, Calendário Asteca, também conhecido como Pedra do Sol, calendário utilizado pelos astecas até a chegada dos espanhóis. Este calendário é baseado no Sol, portanto possuí 365 dias.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O dia em que descobri que estava de greve

As vezes não é preciso ir muito longe para ver na prática algo que estamos estudando. O ruim, e digo pela minha recente experiência, é nos casos em que o objeto estudado não é dos melhores. Não é novidade que as universidades estaduais e federais enfretam constantes greves como meio de reivindicações de inúmeras melhorias. Mas devo aqui juntar meu objeto de estudo e reflexão nas últimas semanas e a situação que encarei ontem na USP.

Como fruto de umas conversas entre colegas da faculdade de história e também de geografia, comecei a pesquisar e refletir se vivemos num regime totalitário sem percebemos. Ainda não tive a oportunidade de procurar boas fontes sobre o assunto, principalmente porque a biblioteca não está funcionando, mas achei bons textos na internet. E também, lendo trechos de livros de Eric Hobsbawn e Fernand Braudel, vi que não é possível eu tirar uma conclusão afirmativa sobre isso, uma vez que só é possível entender algo pelo seu inteiro depois que este se passou. Minhas conclusões de hoje podem sofrer radicais transformações em 10, 20 anos. Mesmo assim, é possível pensar sobre isso.

Por mais que a ditadura e a Guerra Fria tenham acabado, vivemos uma repressão de pensamento por todos os lados. Dizer que temos liberdade de pensamento pode até ser verdade, mas não é em todas as instâncias possível ou cabível demonstrar a própria opnião. A Guerra Fria criou em nossas mentes uma dicotomia. Capitalismo versus Socialismo, certo versus errado, tomar partido ou não tomar partido, ser a favor ou contra... Se abster de uma opnião é necessariamente se colocar em cima do muro e, inevitavelmente, favorecer um dos lados. Essa última, foi o que ouvi de um colega na segunda feira.

Segunda feira a polícia militar invadiu (acho essa palavra um tanto quanto perigosa, pois eles não apareceram do nada. Foram chamados e estavam lá cumprindo ordens, e não fazendo o que bem entendiam em razão de motivos próprios) o campus da USP; mantendo-se em frente a reitoria para que uma invasão ou piquete (e dessa vez a uso num sentido mais específico: entrar em favor de interesses próprios ou de um grupo pequeno) de qualquer esfera (funcionários e alunos) não ocorresse.

Oras, o que eu não entendi foi o tamanho alarde em relação a isto. Na USP há vendas e consumo de drogas, bebidas alcoolicas, são delatados roubos e até estupros no campus. Tudo isso pode e a polícia não? Por que eu não vejo uma mobilização contra a falta de policiamento (que irônico, não?) para que não ocorra mais eventos desse tipo? Sinceramente, a segurança no campus é precária, ainda mais sem o circular. Tenho uma amiga que perde o final da aula todo dia para não ir até a estação no escuro. Além do mais, a presença da polícia lá foi apenas uma resposta da invasão da reitoria que ocorreu na semana anterior que, atraves de atos de vandalismo, trouxe um grande prejuízo para a universidade.

Se a polícia representa uma força repressiva de um lado, por outro me entristeceu ver a repressão por parte dos próprios alunos, que tanto lutam contra isso, no próprio prédio da história e da geografia. Ao impedir o acesso às salas de aula com barricadas de cadeira é deslegitimar qualquer movimento estudantil, pois se mostra como pertencente de um grupo que está longe de ser a maioria (nenhum professor, acredito, daria aula para 3 ou 5 alunos na sala de aula).

Infelizmente, o que tanto pesquisei nas últimas semanas sobre totalitarismo ficou mais que evidente de uma forma bastante concreta ontem. Por um lado, os alunos reclamavam da repressão dos policiais que estavam parados em frente a reitoria, e por outro esses mesmos alunos colocavam medo em qualquer um que sequer pensasse em atravessar a barricada.