quinta-feira, 7 de maio de 2009

Greve!?

Quando estamos prestando vestibular, apesar de não ter acontecido o mesmo comigo - nunca idealizei meu curso nem a USP, mas esperava que fosse um lugar melhor do que estou encarando no momento - temos o costume de considerar a futura universidade em que queremos ser aceitos como o melhor lugar do mundo. Quem, quando estudante, nunca entrou na USP numa excursão de escola e achou aquele o lugar mais lindo do mundo com tantas árvores, áreas verdes e banquinhos de parque? Além do mais, agente pensa que entrar numa faculdade concorrida é conhecer muita gente inteligente que fará alguma diferença no mundo quando formado. Mas tudo muda.

Infelizmente estou me decepcionando um pouco com a USP. Não propriamente com a universidade, mas com as pessoas que lá estão. Tudo começou com a paralização dos funcionários que reivindicavam 200 reais a mais no salário, mais um ajuste salarial que agora não recordo a porcentagem e, o pior, a volta de um líder sindical demitido por justa causa por ter invadido uma faculdade e, segundo algumas fontes não tão confiáveis, ter abusado sexualmente de uma moça dentro do campus. Ah, isso sem esquecer de também quererem que diminua a multa da greve do ano de 2007. No meio dessas paralizaçõs foi decidido que entrariam em greve dia 5 de maio. Pois bem, os funcionários fazem uma tremenda falta da USP. Não tem bandeijão, nem circular, nem o CEPE (Centro de Práticas Esportivas) - sem dúvidas os maiores prejudicados são os alunos, apesar das aulas continuarem.

Mas uma das coisas que mais me espantou, nesse universo um tanto novo pra mim, pois não fazia ideia de como a política funcionava dentro da USP, foi terça-feira dessa semana chegar para assistir aula e o professor dizer:
- Vocês estão em paralização hoje, sabiam? - E na resposta em conjunto da classe de um NÃO em coro, ele respondeu:
- Pois é. O CAHIS (Centro Acadêmico de História) em favor dos funcionários resolveram entrar em paralização hoje para discutir alguns pontos e estou avisando isso antes que atrapalhem minha aula. Só para completar, sou a favor e reconheço a atitude de vocês então 'tchau'!

Não sei com o que fico mais inconformada: com essa atitude do CAHIS, um grupo de pouquíssimas pessoas decidirem fazer algo assim sem consultar ninguém mais dentro da universidade ou a atitude do professor. Na greve dos funcionários, ninguém pára em favor deles (a não ser o CAHIS), mas o professor pára em favor dos alunos?

Num outro momento, esse mesmo professor quando falava de greves - algo tão comum na USP que chegou a me espantar - disse que esta é boa, e concordo com ele. Em algumas situações a greve tem grandes conquistas, como a de 2007 que conseguiu fazer com que o governador de São Paulo, José Serra, revogasse seu decreto que retirava a autonomia da universidade. Mas, quando praticada em demasia, esta perde sua eficácia e vira motivo de piada.

Na quarta as aulas já voltaram normalmente e até agora tudo está correndo como sempre. Hoje a noite farão uma assembleia para decidir esse futuro da greve dos alunos, mas tudo é feito dentro de uma pequena minoria; quem discorda dificilmente tem acesso às discussões e pode fazer algo. Bom, vamos ver no que isso vai dar.

6 comentários:

Hermes disse...

E eu que nem comecei ainda minhas aulas...e a minha universidade tem mais greves ainda, provavelmente ahuahuah. Ainda bem que os veteranos já me falaram que no curso quase nenhum professor falta, a não ser se for por causa de saúde. Eu confesso que não entendi bem o motivo as greves, mas acredito que são os de sempre, os corriqueiros que tem pelo Brasil a fora. Mas o importante é que você ainda assim tá em uma pública, e isso é importante e tem renome.

Thiago César disse...

poiseh, universidade publica tem dessas coisas...
estudo na UFC e sei bem como eh isso...

ah, e bem-vinda ao "blogs de kinta"!

allan_leonheart disse...

Realmente, um dos problemas da pública é esse. E tem muita gente que se aproveita da situação pra tirar vantagens com a greve...


mas como foi dito, o importante é estar na publica e nao pagar pra estudar

ano que vem eu to lá =)))

C. A. Ribeiro Neto disse...

Gi, todos os integrantes do Blog's de Quinta estão avisados sobre a sua inclusão ao grupo! Segue aqui, a lista dos integrantes com nome e blogs. Você cria um menu pra gente, ta bom?

CA Ribeiro Neto - http://www.carlinhosribeiro.blogspot.com
Pedro Gurgel - http://casadosacasos.blogger.com.br
Thiago César - http://www.fizerepito.blogspot.com/
P. Henrique Passos - http://www.phenriquepassos.blogspot.com/
Marcella Facó - http://www.coracaodeserpente.blogspot.com/
Hermes Veras - http://hermestrismegistoss.blogspot.com/

E vida longa no Blog's de Quinta!

C. A. Ribeiro Neto disse...

Gi, não conheço os fatos da história que narrou pra gente e pelo que você escreveu, não dá pra saber se eles tinham a razão ou não, mas, independente disso, é muito estranho ver um C A aderindo à greves de funcionários e, o mais inédito de tudo, é um professor concordando com C A!!!! hehehe (rindo, mas é pra não chorar!)

Quanto aos que são contra a greve serem impedidos de participar das Assembleias, não sei como é aí, mas aqui não há o impedimento, falta mesmo é o interesse. Os professores "anti-greve" nunca vão para as assembleias, alegando que não querem dár quorum para isso. Mas sempre há quorum e eles não fazem nada para evitar a greve.

p.s.: a palavra "assembleia" sem acento é muito feia... hehehehehehehe

Cauê disse...

É...
As coisas são meio confusas no início. Quero ainda ler o post "O dia em que descobri que estava de greve". Sei que muito da sua interpretação quanto à greve deve ter mudado. E com certeza continuará mudando. Mas essa greve tem mudado seus fundamentos e suas bases desde que a gente entrou lá na USP até agora.
Mas eu já explique bastante coisa pra você em outro lugar, Gi, se eu o fizer de novo você fica louca, né? Hahaha!!