sexta-feira, 29 de maio de 2009

Preconceito e Cidadania

Nos cursos de ciências humanas não se divide matéria. Por mais que haja várias disciplinas, é impossível separar os conhecimentos e por isso aprendemos tudo junto. Isso nos permite correlacionar efeitos e causas do nosso cotidiano. Como no caso da intrínseca habilidade dos brasileiros de falar mal do próprio país e a falta de cidadania também do povo brasileiro.

Duas coisas me chamaram a atenção ao longo dessa semana. Primeiramente, é comum discutir história ou falar para alguém que estudo história e além de ouvir um ''Para que? Para dar aula?'', ouvir "Nossa, eu odeio História do Brasil!", ou então "A História Europeia é muito mais legal!". Oras, a partir do século XV é impossível estudar a Europa sem um contexto mundial. Antes disso porém, a história europeia sempre esteve bastante ligada com o norte da África e com parte da Ásia. Depois das grandes navegações, a colonização teve impactos econômicos, sociais e políticos profundos na Europa, não só nos países Ibéricos. Por que então querer separar o que não pode ser separado?

Mas esse preconceito (porque é assim que chamo esse desgosto pela história brasileira) em relação ao Brasil não se limita a sua história. Por que muita gente fala que odeia filme nacional? Concordo que tem uns muito ruins, mas tem outros muito bons! Igualmente com filmes ''hollywoodianos''. Mas as coisas não param por aí, as pessoas também criticam a política e o governo, esquecendo-se que são elas as maiores responsáveis pelos nossos representantes políticos em Brasília. Criticam ainda o povo brasileiro, numa xenofobia nacional. Chega a ser engraçado, porque em outros países, na própria Europa, por exemplo, tão valorizada e admirada pelos pobres (nos dois sentidos) brasileiros, a xenofobia é contra o estrangeiro, enquanto que aqui a xenofobia é contra nós mesmos!

Em segundo lugar, em um outro dia li um post num blog de um historiador que admiro muito sobre cidadania. O povo brasileiro não tem cidadania. E não tem mesmo, não sabem viver em grupo e agir como cidadãos em prol do bem comum. O individualismo é reinante. Mas as causas dessa falta de cidadania se encontram na mesma origem que essa falta de respeito - porque não precisa ser amor nem admiração - em relação ao nosso país. A mídia só mostra as coisas podres do Brasil em contraste com as maravilhas lá de fora. A Índia não é tão bela quanto mostra Glória Perez e nem é preciso esse sensacionalismo chocante para mostrar a violência da realidade brasileira.

É fácil colocar a culpa nos nossos representantes políticos quando esquecemos que somos nós os responsáveis pelos cargos que ocupam e que eles não fazem tudo por nós; que somos cidadãos, que vivemos em sociedade - e na sociedade brasileira - e que para um bem comum todos devem fazer sua parte. Meu pai me conta que nos tempos em que viveu na Alemanha, se um motorista via o motorista do carro da frente jogar lixo pela janela, a "testemunha" anotava a placa do carro para denunciá-lo mais tarde. Aqui no Brasil, na mesma situação, quem vê o lixo sendo jogado para fora da janela fala "se ele pode, eu posso também" e repete o que o da frente acabou de fazer.

Acho que tudo isso decorre de uma falta de valorização nacional. Não há porque cuidar e valorizar um espaço nosso se os responsáveis por isso conservam um desgosto pelo mesmo. Infelizes são os que comparam o Brasil a países desenvolvidos - comparação um tanto sem sentido. Estudar em faculdade pública e em cursinhos particulares - lugares bastante elitistas - nos fazem ouvir coisas bastante desagradáveis como:
- Nas férias fui para a Inglaterra (ou Itália, Alemanha, França, etc.) e estou morrendo de saudades de lá porque é infinitas vezes melhor que aqui.
Coitados, se esquecem que são turistas. Turistas, além de serem sempre bem tratados, só visitam a parte bela que tem que ser mostrada e não enfrentam nenhum problema como desemprego, xenofobia, e outros problemas mais específicos de cada lugar; como o lixo é no sul da Itália.

As origens desta falta de cidadania digo que se encontram na escola. Esta deveria ser o lugar de formar bons cidadãos e críticos da realidade vivenciada. Mas ultimamente, essa forma nojenta de classificação e seleção universitária - o vestibular - fez o índice de aprovações ser a chave mestra de propaganda publicitária dos colégios particulares. Enquanto que os colégios e escolas públicas estão cada vez a margem da sociedade comportando jovens de baixa renda e agindo como meio de conservá-los nessa classe social.

Enfim, é esperança que um dia o brasileiro, através de uma política eficiente, aprenda a ser cidadão e a viver em comunidade.

sábado, 23 de maio de 2009

Emboabas e nordestinos

- De onde Fulano é?
- Não sei... é baiano!
Quem nunca, sendo paulista, ouviu algum comentário do tipo? Ás vezes varia para 'nordestino', mas a generalização de quem é de fora de São Paulo é evidente. Basta ter a pele um pouco mais escura, um sutaque um pouco mais arrastado ou usar roupas um pouco mais extravagante que o indivíduo se torna "baiano".

Mas isso não é de agora. No século XVIII, quando paulistas e uma população de origem diversa disputavam jazidas auríferas na região das Minas Gerais - diante de um Brasil com demarcações territoriais frágeis - chamavam-se todos que não eram paulistas de... emboabas! A disputa se dava porque os paulistas, designando-se como descobridores das jazidas reivindicavam o direito sobre elas. Mas, como não é segredo para ninguém, o ouro era um grande atrativo para os habitantes pobres desse país - e também para os portugueses pobres que da Europa vinham: não precisava de grandes investimentos - o que possibilitava que todos poderiam participar dessa atividade, e o pouco ouro conseguido já era uma vitória.

Assim, os paulistas chamaram de emboadas, primeiramente, os portugueses ambiciosos em busca de ouro; em seguida, outros inimigos vindo do norte também foram chamados de emboabas. Afinal, cada margem do São Francisco pertencia à uma capitania diversa e como chamar os invasores de pernambucanos se a maioria procedia da margem direita? Como chamá-los de baianos se havia gente da margem esquerda? Para simplificar e resolver a questão, encharcando no mesmo desprezo baianos, pernambucanos e portugueses, chamavam-se todos de emboabas. (Capistrano de Abreu)

Com o tempo, a atividade mineradora perdeu importância, a designação ''emboabas'' perdeu o sentido e no século XX, o êxodo em massa da população do nordeste ao sudeste fez surgir um novo preconceito com raízes no passado. Nordestino e baiano viraram termos genéricos. "Para cima de São Paulo é tudo baiano."

Infelizmente, o brasileiro ainda não aprendeu a valorizar a diversidade cultural que o Brasil tem. É motivo de orgulho ter tantas etnias, tantas culturas, tantos sutaques, cores e danças dentro de um só espaço político-geográfico. No sul querem se separar do restante do país; no sudeste expressam um preconceito contra as outras regiões... Quem sabe um dia o sulista se vê vítima dos mesmos problemas que o paulista e o nordestino também são - o mesmo se coloca para os paulistas; e um dia se unam ao invés de continuarem com rixas bobas que não levam a lugar nenhum, a não ser numa maior desintegração social nacional.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

História e Geografia

Algo que sempre me impressionou e me atraiu em história é sua abrangência interdiscplinar e de conhecimento. Sempre tive a impressão que o historiador sabe de tudo um pouco. Mas uma outra área que também reconheço ser bastante abrangente é a geografia. Não há como negar que seu âmbito de estudo é enorme e imensamente diverso.

Brincando, muitas vezes disse que escolhi História porque por mais que se estude muitas guerras, pestes, mortes e desgraças, tudo isso já passou. Ficou no passado e o ser humano superou tudo isso. É muito mais fácil e menos desgastante estudar horrores que já foram superados. Quando fazemos as estimativas de quantas pessoas morreram na 1° e na 2° Guerra Mundial, ou quantas foram as vítimas da peste negra, não ficamos abalados com isso. Usamos, literalmente, como um dado estatístico para transferir as consequencias numa esfera política, econômica e social. Mas é claro que há excessões para os que estudam a história mais contemporânea.

A geografia, por sua vez, sempre me trouxe a impressão que as desgraças estudadas são atuais e a previsão para o futuro é sempre aterrorizadora. Em níveis de Ensino Médio, estudamos a poluição e a contaminação dos rios e do solo, o efeito estufa, o poderio bélico dos países que, caso entrem em guerra, podem destruir o mundo com suas armas e munições nucleares, etc. Mas isso, é claro, sempre foi a impressão leiga que tinha.

Como já disse em outro post, o lado bom que longas viagens de ônibus nos proporcionam é a conversa que temos com pessoas que temos a oportunidade de conhecer durante esse período em meio ao trânsito. E assim eu conheci uma veterana em geografia - que apesar de dividirmos o mesmo prédio nunca conversamos e nem nos encontramos - e me revelou que o curso inteiro é jogar em cima dos alunos problemas: a poluição, as guerras, problemas políticos e econômicos; e ainda disse que muitos têm que tomar antidepressivos (ela mesma disse que busca ajuda na igreja) para não achar que é o fim do mundo. Realmente, me surpreendi, não sei se foi exagero dela ou não, mas pelo menos vi que eu não estava completamente errada sobre a "felicidade" do curso de geografia - meu vizinho de sala.

sábado, 16 de maio de 2009

Determinismo cultural?

Esse post é dedicado ao meu namorado, porque por mais de uma vez discutimos esse assunto e nunca entramos em um consenso! Podemos falar de um determinismo cultural? O homem é um ser instintivo ou cultural? Para qual dos lados ele tende mais?

No livro Cultura: um conceito antropológico, Roques de Barros Laraia discute esse tema. É comum falarmos em instinto de conservação, maternal, filial, sexual, etc. Mas o autor rebate todas essas afirmações com exemplos de práticas culturais de diferentes povos ao redor do mundo.

Como falar em instinto de conservação quando lembramos das façanhas dos kamikases japoneses? Se o instinto se sobreposse as heranças culturais, impossível seriam os encontros das aeronaves japonesas e norte-americanas. O mesmo se pode falar sobre os homens-bombas do Oriente Médio.
Como falar em instinto materno quando sabemos que o infanticídio é uma prática comum para certos grupos humanos? As mulheres da Tapirapé, tribo Tupi do norte do Mato Grosso, sem conhecer nenhum método anticoncepcional são obrigadas a sacrificar todos os seus filhos após o terceiro. Um exemplo mais conhecido, que acredito que todos já viram alguma vez na escola, são os espartanos. Diante de uma análise física, a criança passa por um teste para saber suas condições de se tornar um grande guerreiro e, se reprovada, é jogada de um precipício.
Como falar em instinto filial se os esquimós conduziam seus velhos pais para as planícies geladas para serem devorados pelos ursos? Assim faziam porque acreditavam que o mesmo seria reincorporado pela tribo quando o urso fosse abatido e devorado pela comunidade.
Como falar em instinto sexual se muitos são os casos conhecidos de adolescentes, crescidos em contextos puritanos, que desconheciam completamente como agir em relação aos membros do outro sexo?

Mas ainda sim, é possível dizer que o homem é resultado do meio cultural em que foi socializado? E aqueles casos de assassinato por vingança? Não seria um instinto vingativo? As vezes não, é claro. Uma vez li um artigo dizendo que após a queda do Regime Militar, as pessoas descrentes da eficácia da justiça do governo aprenderam a fazer ''justiça com as próprias mãos''.

Quando duas irmãs foram encontradas no ínicio do século XX, Kamala e Amala tinham oito e cinco anos e não sabiam rir, chorar, falar, seus rostos não emitiam nenhum som, sabiam andar rapidamente de quatro, tinham hábitos noturnos e preferiam a companhia de lobos e cachorros, afastando-se de humanos. Ao serem encontradas e separadas de sua matilha (?), a tristeza levou uma delas a morte.

Acho que esse contexto de colocar o homem como um ser cultural e não instintivo faz juz , em parte, a frase de Marx: "A consciência é, portanto, desde o início, um produto social, e continua a sê-lo enquanto houver homens."

terça-feira, 12 de maio de 2009

Earth From Above

Primeiramente, gostaria de agradecer ao convite do Carlinhos para participar dos Blog's de Quinta. Antes eu achava que o único leitor e comentador do meu blog seria meu namorado, e só por insistência minha. Não achava que entraria num grupo de blogueiros. Espero que isso seja uma chance de crescer em conjunto...

Eu tenho a sorte de, de vez enquando, achar um bom documentário na TV. Documentários são difíceis, porque a maioria não está nas locadoras na estante de lançamentos e na internet, pelo menos para mim, é um pouco difícil achar legendas. Mas, pela segunda vez, eu estava mudando de canal e encontro um bom documentário passando na HBO. O primeiro, há alguns anos, se chamava "A Corporação" e fazia uma denúncia as grandes corporações mundiais atravez de um perfil psicológico, mostrando como essas empresas têm um caráter psicopata, se bem me recordo.

Dessa vez, o documentário é "A Terra Vista de Cima" ou "Earth from Above" (se alguém encontrar um site específico sobre o filme com mais informações eu ficaria grata), que é dividido em quatro episódios. O primeiro foi o que eu encontrei acidentalmente e trata da biodiversidade do planeta e como esta está se extinguindo nas mãos do homem. Não sou ambientalista, nem estudo o assunto a sério, mas faço meu dever de casa ao economizar água e separar o lixo orgânico de reciclável, entre outros. Apesar disso, eu me comovo ao ver a destruição do planeta, é algo com o qual eu fico muito chateada.

Pelo que pude descobrir sobre o documentário é que seu diretor, Yann Arthus Bertrand, tira fotos do planeta de cima, criando imagens que dificilmente acreditamos ser da Terra. Tanto que na maior parte do filme, ele está com uma máquina fotográfica na mão dentro de um helicóptero.

Durante todo o filme, ele mostra diferentes partes do globo, expõe os fatos e os problemas e obtém o depoimento de pessoas vítimas dessas situações problemáticas ambientais ou de ativistas engajados nessas causas. Mas, o que mais me impressionou depois da imagem do urso polar desnutrido morrendo de fome com a pele sobre os ossos, foi a situação de uma floresta da Austrália cujas árvores possuem mais de mil anos e cujos troncos são tão grandes e largos que os aborígenes viviam dentro deles. O que está acontecendo lá é uma guerra cuja vítima é a biodiversidade. São jogados pelos helicópteros bombas de napalm que fazem a floresta pegar fogo e quando a madeira está seca, as empresas a recolhem para a fabricação de papel e plantam novas árvores que não são nativas daquela região, mas sim cujos troncos cabem perfeitamente em suas máquinas. Como se não pudesse ficar pior, para os animais que sobrevivem aos bombardeios não comerem suas novas árvores, eles implantam um veneno criado pelos nazistas (que agora não me recordo qual) para envenenar os animais que acabam também por disseminar esse mesmo veneno atraves das águas. As imagens das bombas caindo nos faz lembrar de imagens de filme de guerra. Talvez vivemos numa terceira guerra mundial, um pouco mais escondida, mas tão mortal quanto as duas primeiras; afinal, destruir o planeta não é a forma mais inteligente de preservar a vida.

O episódio de ontem foi sobre a água... E em ambos os episódios descobri coisas sobre o Brasil, em termos ambientais, que nem fazia ideia. Farei o máximo para ver os próximos capítulos. Para quem quiser saber mais do trabalho deste espetacular fotógrafo, aqui está seu site. Vale a pena conferir só pelas fotos.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Greve!?

Quando estamos prestando vestibular, apesar de não ter acontecido o mesmo comigo - nunca idealizei meu curso nem a USP, mas esperava que fosse um lugar melhor do que estou encarando no momento - temos o costume de considerar a futura universidade em que queremos ser aceitos como o melhor lugar do mundo. Quem, quando estudante, nunca entrou na USP numa excursão de escola e achou aquele o lugar mais lindo do mundo com tantas árvores, áreas verdes e banquinhos de parque? Além do mais, agente pensa que entrar numa faculdade concorrida é conhecer muita gente inteligente que fará alguma diferença no mundo quando formado. Mas tudo muda.

Infelizmente estou me decepcionando um pouco com a USP. Não propriamente com a universidade, mas com as pessoas que lá estão. Tudo começou com a paralização dos funcionários que reivindicavam 200 reais a mais no salário, mais um ajuste salarial que agora não recordo a porcentagem e, o pior, a volta de um líder sindical demitido por justa causa por ter invadido uma faculdade e, segundo algumas fontes não tão confiáveis, ter abusado sexualmente de uma moça dentro do campus. Ah, isso sem esquecer de também quererem que diminua a multa da greve do ano de 2007. No meio dessas paralizaçõs foi decidido que entrariam em greve dia 5 de maio. Pois bem, os funcionários fazem uma tremenda falta da USP. Não tem bandeijão, nem circular, nem o CEPE (Centro de Práticas Esportivas) - sem dúvidas os maiores prejudicados são os alunos, apesar das aulas continuarem.

Mas uma das coisas que mais me espantou, nesse universo um tanto novo pra mim, pois não fazia ideia de como a política funcionava dentro da USP, foi terça-feira dessa semana chegar para assistir aula e o professor dizer:
- Vocês estão em paralização hoje, sabiam? - E na resposta em conjunto da classe de um NÃO em coro, ele respondeu:
- Pois é. O CAHIS (Centro Acadêmico de História) em favor dos funcionários resolveram entrar em paralização hoje para discutir alguns pontos e estou avisando isso antes que atrapalhem minha aula. Só para completar, sou a favor e reconheço a atitude de vocês então 'tchau'!

Não sei com o que fico mais inconformada: com essa atitude do CAHIS, um grupo de pouquíssimas pessoas decidirem fazer algo assim sem consultar ninguém mais dentro da universidade ou a atitude do professor. Na greve dos funcionários, ninguém pára em favor deles (a não ser o CAHIS), mas o professor pára em favor dos alunos?

Num outro momento, esse mesmo professor quando falava de greves - algo tão comum na USP que chegou a me espantar - disse que esta é boa, e concordo com ele. Em algumas situações a greve tem grandes conquistas, como a de 2007 que conseguiu fazer com que o governador de São Paulo, José Serra, revogasse seu decreto que retirava a autonomia da universidade. Mas, quando praticada em demasia, esta perde sua eficácia e vira motivo de piada.

Na quarta as aulas já voltaram normalmente e até agora tudo está correndo como sempre. Hoje a noite farão uma assembleia para decidir esse futuro da greve dos alunos, mas tudo é feito dentro de uma pequena minoria; quem discorda dificilmente tem acesso às discussões e pode fazer algo. Bom, vamos ver no que isso vai dar.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A mulher e seu dom

Viagens de ônibus proporcionam boas conversas... E esses dias, no ônibus, um amigo meu estava contando seus tempos de colégio e citou seu professor de redação que adorava usar o tema aborto como discussão em suas aulas. Para completar, ele me disse que as meninas de sua sala diziam o que todos já devem ter ouvido alguma vez: "Sou sim a favor do aborto! O corpo é meu e faço dele o que quiser!". Bom, acho que isso não é novidade para ninguém. Todos já devem ter ouvido alguma vez na vida uma argumentação desse tipo, tem até se tornado clichê.

Neste mundo globalizado, cujas informações correm minuto a minuto e o moderno é ser... moderno, a valorização da mulher tem seguido para uma outra direção. Valoriza-se aquela profissional, mestre e doutora, trabalhadora e, algumas vezes quase sempre, aquela que tem o corpo considerado bonito para os padrões contemporâneos. Não que esses não sejam motivos de reconhecimento, mas a figura feminina, delicada e materna tem perdido um pouco seu espaço. As mulheres nascem com um dom de Deus, são as criaturas que podem carregar dentro de si uma outra vida e dela se tornam responsáveis. Não faz parte do corpo da mulher mas está lá porque este é seu dom: cuidá-lo e protegê-lo. E parece que esta ideia está cada vez mais inexistente.

Curioso é que em culturas pagãs, a mulher era valorizada justamente por essa característica e rituais de fertilidade não devem ser encarados como práticas pervertidas, mas uma forma dessas culturas valorizarem a mulher como ser criadora. Vale a pena ler As Brumas de Avalon, apesar de não ser o tema central da narrativa isso é bastante evidente. E a leitura vale a pena não só por isso, mas também porque é uma coleção maravilhosa, com certeza uma das melhores que já li.

Só um recado a essas garotas: se o corpo é de vocês e dele vocês fazem o que querem, valorizem-no mais. Porque usar um argumento desse tipo para defender o aborto é mostrar-se um tanto quanto irresponsável.

Fica aqui, um pouco adiantado, minha homeanagem a todas as mães. Sendo elas boas mães ou não, nos carregaram na barriga por nove meses e graças a elas aqui estamos.