sexta-feira, 3 de abril de 2009

Para que estudar história?

Quarta-feira estava lendo um texto para a prova que tive ontem que me faz parar e pensar ''é por isso que faço História!!!"
Você já pensou em acordar e não lembrar de nada? O que é um homem sem memória? Viver 50, 60, as vezes 70 anos ou mais e gradualmente ir perdendo a memória. O que seria se todos os livros de História e qualquer vestígio para o estudo historiográfico do mundo sumisse, desaparecesse? O que seria da civilização sem sua História? Talvez alguns possa dizer que não faria diferença, afinal, vive-se muito bem (ou não) sem saber nada de história do mundo.
Mas assim como um homem perderia sua identidade, sua referência no mundo, o mesmo aconteceria com as civilizações; estas perderiam suas características e referências num contexto mundial. A História se refaz, ela constantemente muda, mas nunca deixa de existir, porque querendo ou não, ela muda o rumo da História que estamos fazendo todos os dias. Mas como diz Carl Becker (e eu concordo inteiramente) é que o tipo de História mais influente na vida em comunidade e no curso dos acontecimentos é a História que os 'homens comuns' levam em suas mentes. Homens comuns, neste caso, seriam todos aqueles, que não estudam História propriamente dita, mas nem por isso deixam de carregar um grande conteúdo desta em suas mentes, a ponto de poderem realizar grandes mudanças.
Além dessa importância da História como fator de identidade própria, há uma outra outra passagem de 'O que são fatos históricos' de Carl Becker no qual eu gostaria de fazer uma ressalva. Ele diz assim: "O conhecimento histórico, embora ricamente armazenado em livros ou nas mentes dos professores de história, não é bom para mim a não ser que eu tenha um pouco dele. [...], não sei física, mas aproveito algumas pesquisas físicas todas as noites pelo simples fato de apertar o botão que acende a luz elétrica. E, dessa forma, todos podem tirar proveito das pesquisas da física sem saber nada de física..." Mais um motivo pelo qual eu faço História e isso fez eu refletir se isso não faz de mim uma pessoa egoísta. Estudo História mas esse conhecimento só influencia a mim, enquanto que outras ciências podem facilitar minha vida sem eu mesma sabê-la.
Talvez seja por isso, que Becker esteja um pouco decepcionado, não digo com a História, mas com seu nível de influência aos 'homens comuns'. Escrito em 1926, após a 1° e anterior a 2° Guerra Mundial portanto, Becker se mostra triste pela pesquisa histórica não ter sido tão influente quanto as pesquisas científicas foram ao longo do século XIX. E assim, enquanto esta provocou meios eficientes de provocar uma guerra horrorosa, aquela pouco fez para evitar esse infortúnio (ou desgraça) mundial.
"Certamente cem anos de pesquisa histórica de peritos nada fizeram para evitar a Guerra Mundial, a exibição mais fútil de insensatez, em tudo e por tudo, jamais feita pela sociedade civilizada. Governos e pessoas lançaram-se a essa guerra com uma estupidez enorme, com um fanatismo imenso, com uma capacidade ímpar de iludir a si mesmos e aos outros. Não estou dizendo que a pesquisa histórica é uma censura à Guerra Mundial. Estou dizendo que ela teve pouca ou nenhuma influência sobre ela, de uma forma ou de outra."

2 comentários:

Hermes disse...

Seria catastrófico se a História se fosse...fiquei com medo depois desse texto. Para com essas histórias de terror, Gi. =X

Nando (Orkut de Bêbado) disse...

Famoso nada!
Ainda tem um longo caminho pra eu ficar realmente famoso, tipo ser chamado para dar entrevista no Jô! hehehe
Mas muito obrigado pelo link na lista dos favoritos e pelos elogios!
Gostei bastante dos textos que você escreveu aqui, amanhã (segunda) eu faço um merchan básico no blog com o seu link!
Beijo! E manda um abraço pro Allan, tô com saudade!