quinta-feira, 9 de abril de 2009

O que? Professor?

Ultimamente tenho refletido muito sobre meu futuro após a graduação. Nós sempre fazemos planos de onde e como queremos trabalhar quando terminarmos a faculdade, mas no meu caso, agora que entrei na graduação, as coisas parecem um pouco diferentes e meus planos, consequentemente, têm mudado.
Primeiro, li uma confissão de um historiador que trabalha intimamente com a arqueologia de como é sua rotina de trabalho. Confesso que era essa a linha que queria seguir: estar sempre viajando, vivendo (quase sempre) como Indiana Jones, conhecer lugares maravilhosos e, consequentemente, muitas pessoas diferentes e interessantes. Mas como tudo tem um preço, a vida de um arqueólogo dedicado custa meses fora de casa, longe da família, namorado, amigos... E as vezes, algumas coisas têm que ser sacrificadas, como um relacionamento amoroso e algumas outras relações que acabam se desfazendo pela falta ou pelo pouco contato existente.
Segundo ponto: após algumas orientações de alguém muito experiente e que admiro muito, meu professor, que não me dá mais aula, mas será eternamente meu professor, disse-me que seguindo essas orientações estarei sempre a frente dos meus colegas de classe.
Bom, vivi o ano passado numa intensa competitividade que em alguns momentos me fazia mal (ano de vestibular é terrível e é algo que não desejo à ninguém). Já me disseram que a partir dessa etapa da vida tudo vira uma competição tanto na graduação quanto no trabalho, principalmente. Mas será que eu não poderia amenizar um pouco disso na minha vida ao invés de torná-la uma competição acirrada de vida ou morte?
Depois desses dois acontecimentos, refleti muito sobre minha futura área de atuação como historiadora. Acho que eu mesma tinha um certo preconceito com a licenciatura. Desde a oitava série, quando dizia às pessoas que queria cursar História, todas perguntavam num tom de desdém: ''Para que? Para dar aula?" e eu, para mostrar que historiador tem um campo de atuação muito mais amplo, dizia que NÃO!, que trabalharia como uma cientista em campo, ou seja, como uma arqueóloga, sendo que eu nem sabia direito o que era isso.
Agora, eu digo "Sim! Para dar aula! Um grande problema nos brasileiros é não valorizar seus mestres e, consequentemente, desvalorizar essa profissão de imensa responsabilidade e repercussão. Foi um professor que me influenciou em minha decisão e agora estou na USP, se eu puder mudar a vida de um único aluno assim como ele mudou a minha, imensamente feliz eu ficaria."
Além de me formar e fazer uma pós-graduação, quero cultivar a relação que tenho com a minha família e também quero me casar. Já achei meu príncipe encantado e não quero sacrificar essa felicidade imensa que tenho graças as relações interpessoais que eu possuo em troca de uma carreira super bem sucedida.
Nunca pretendi ser rica! Como diz alguns professores meus, se nós (alunos) pretendessemos isso, não estaríamos cursando História. Estou nesse curso porque eu gosto de ler, porque o historiador de tudo sabe um pouco e isso eu admiro muito nessa profissão. Darei aula sim! E durante o curso, tentarei sempre ser uma ótima aluna, sempre tirando boas notas e adquirindo o maior conhecimento possível durante a graduação, mas não farei dela uma competição; porque quando terminá-la quero me casar! Aliás, quero ser feliz... Melhor dizendo, continuar a ser tão feliz como eu sou agora.
Quem sabe todas as brincadeiras de escolinha na qual fiz parte valha alguma coisa!
obs: eu sempre era a professora!

Um comentário:

allan_leonheart disse...

Exatamente. Do que adianta uma grande carreira, e uma vida infeliz ? Eu prefiro não ver meu nome ficar para a história, porém ser feliz.

Claro, com você =)