Mas enfim, tratarei dele mais tarde. Hoje falarei sobre algo que não muito a ver com história.
Muitos colegas de faculdade com quem estudo são vegetarianos. Eu não me importo, nem nunca comentei com ninguém deles minha sincera opinião sobre isso, até porque nunca havia também refletido muito sobre a justificativa deles.
Em quase quatro anos da minha adolescência não comi frango nem carne vermelha. Como minha família também não tem o costume de comer regularmente peixe, posso dizer que fiquei um bom período sem comer quase nenhuma carne, deixando a o peixe para finais de semana esporádicos. O que me levou a isso? Nenhuma ideologia profunda. Em uma discussão fui desafiada a isso. E pronto (nunca me desafiem! rs). Isso me trouxe alguns benefícios. Apesar de nova sofria com colesterol alto, além de regular este problema, perdi alguns significantes quilos.
Esta semana, porém, os argumentos de um vegetariano me fez refletir. Entendo o vegeteriano que além de não comer carne não usa artigos de couro, mas alguns (na verdade todos) argumentos estilo vegetarianos me deixaram inquieta. Comer carne é retrógrado. Faço isso em favor a vida dos animais. Tais argumentos levaram também ao fato de ser cruel andar em cavalos e não matar baratas, apenas colocá-las para fora de casa.
Na pouca experiência quase vegetariana que tive, posso entender sem dificuldades o vegetarianismo em favor da saúde, mas em favor a vida dos animais não me convence. Ninguém ao seu redor muda o hábito de alimentação por sua causa. Nunca fui à uma festa sem coxinha ou pão com carne de panela, ou então nunca deixaram de fazer um churrasco por minha causa, muito menos lasanhas ou macarronadas. Para ser sincera, ficava sempre chupando o dedo procurando comer o que tinha de queijo. Raríssimos são os lugares com a "opção vegetariana".
Ou seja, ninguém deixa de consumir carne. Numa pizzaria, num restaurante... Sempre há as opções de carne, independentemente se uma ou outra pessoa não coma.
Além do mais, vivemos numa sociedade capitalista cujo motivo de produção é o lucro e não o bem-estar dos animais. Comer ovos e tomar leite não é tão a favor da vida dos animais. Não é tão raro ver notícias acusando granjas ou indústrias leiteiras dando hormônios para os animais produzirem mais. Além das condições em que os animais vivem. E quando não produzem mais o esperado? Não é vantajoso continuar com um animal que não traz lucro.
Quanto a comer carne é retrógrado. Este é o argumento que mais me incomoda. Segundo o que ouvi, há anos nós sobrevivemos graças aos nossos ancestrais comedores de carne, hoje já não é mais preciso, porque temos outros recursos para substituir as substâncias que a carne nos oferece. Pois bem, discordo totalmente disso. Comer carne faz parte de uma cultura alimentar. Vemos o caso do Brasil, quantos são os pratos típicos salgados que envolvem carne? Só para alguns exemplos temos o acarajé, a feijoada, a carne seca, o famoso churrasco gaúcho...
Enfim, andar a cavalo não é cruel, depende do dono. Se o "sistema de freios" fosse tão ruim, não haveria relações de amizades tão fortes entre os cavalos e seus donos como vemos em alguns casos. E não há mal nenhum em matar uma barata, um vetor de doenças. Matar uma ou outra que entra dentro de casa não colocará em risco a espécie que vive aos montes nos esgotos.
Eu acho que há várias outras maneiras de lutar em favor aos animais não tão cômoda como não comer carne. Lutar contra o tráfico ilegal de animais silvestres, contra a extinção, contra a poluição dos rios e mares, contra o mau trato de animais domésticos, contra o desmatamento, etc.
O desmatamento, aliás, grande causador da morte de animais silvestres, tem crescido em grandes proporções, também, pelo aumento das plantações de soja. Alimento atrativo à quem não come carne.